
A decisão da Justiça no caso Henry Borel gerou a indignação da jornalista Adriana Araújo durante a edição do "Jornal da Band" desta quinta-feira (4).
Ao comentar o resultado do julgamento, a apresentadora manifestou inconformismo com o perdão judicial concedido a Monique Medeiros, mãe do menino morto aos 4 anos.
No mesmo dia, o 2º Tribunal do Júri do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro condenou Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo. A pena fixada foi de 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão.
Já em relação a Monique Medeiros, os jurados decidiram desclassificar a acusação de homicídio doloso.
O entendimento foi de que houve negligência em sua conduta, resultando na condenação por omissão diante das agressões sofridas pelo filho.
Pelo crime de homicídio, ela recebeu perdão judicial. Tanto o Ministério Público quanto a defesa de Jairinho informaram que pretendem recorrer da sentença.
Durante o telejornal, Adriana Araújo iniciou seu comentário ressaltando que, em sua avaliação, Henry foi a única vítima de toda a história.
"A única vítima dessa história se chama Henry Borel. Uma vida pela frente interrompida aos 4 anos de idade, porque é assim: a vida de uma criança só tem futuro se ela tem adultos que zelem por ela, que fiquem atentos às ameaças".
Na sequência, a jornalista recordou os sinais de violência que, segundo ela, cercavam a rotina do menino antes do crime.
"No caso de Henry, o agressor morava na casa dele. O menino pediu socorro, do jeito que uma criança de 4 anos sabe pedir socorro. Deu sinais das violências que sofria. A babá viu, a mãe viu, o pai percebeu que ele estava com medo. Ninguém agiu a tempo de salvar Henry".
Ao abordar a justificativa apresentada pela magistrada para o perdão judicial, Adriana fez uma reflexão sobre a responsabilização de mães e pais na sociedade.
"Ao perdoar Monique Medeiros, a juiza afirmou que a sociedade espera que as mulheres sejam mães perfeitas e que por isso elas enfrentam cobranças e condenações que os pais não sofrem. Como mãe, eu sei que isso é verdade, mas a pergunta é: foi isso mesmo que levou Monique para o banco dos réus?".
A apresentadora também relembrou comportamentos atribuídos a Monique após a morte do filho, questionando sua postura durante as investigações.
"Depois do crime, Monique pressionou a babá a apagar mensagens que mostravam que ela sabia das agressões contra o filho. Jairinho era o principal suspeito do assassinato cruel e ela entrou de mãos dadas com ele pela porta da frente da delegacia.
Tirou selfie antes do depoimento. Aceitou ser defendida pelo advogado dele. Combinou uma versão da história com o assassino e só agora no Júri o acusou pelo crime".
Perto de encerrar, Adriana voltou a demonstrar indignação com o desfecho do julgamento e levantou um questionamento sobre as atitudes da mãe de Henry.
"Monique agiu como uma mãe em luto, preocupada em esclarecer o crime ou estava preocupada em apenas salvar a própria pele? O Júri termina e deixa uma imensa sensação de injustiça com Henry".
Ao concluir sua análise, a jornalista reforçou a responsabilidade que acompanha a maternidade e a paternidade.
"Para terminar, eu preciso dizer: você pode escolher ser mãe ou não. Você pode escolher ser pai ou não. Mas quando um filho nasce, não pode escolher a omissão porque omissão mata".

Mariana Morais
Mariana Morais
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Mariana Morais
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