
Mal encerrou seus trabalhos na novela Família é tudo, da Globo, no ano passado, o ator Caio Vegatti mergulhou em um dos maiores desafios da sua carreira: dar vida ao protagonista da série Até onde ele vai, que estreou na plataforma Univervideo, da Record. Inspirada em uma história real, a trama acompanha a jornada de Michael, um jovem que, seduzido pela ostentação, se envolve com o crime em uma comunidade carioca e enfrenta dilemas intensos entre o certo e o errado.
A preparação para viver Michael exigiu um mergulho profundo na realidade do personagem, que transita entre o afeto familiar, as tentações do crime e os conflitos internos. "Foi um processo intenso. A gente teve encontros com o preparador João Vitor, do Nós do Morro, e fomos entendendo camada por camada do Michael: sua relação com os pais, com as namoradas, com os bandidos..."
Caio, de 29 anos, conta que o personagem vive dois grandes amores na trama, mas também enfrenta o peso das más escolhas. "O Michael começa adolescente, com 16, 17 anos, então ainda tem receios, questiona se está certo ou errado. É uma história densa, que mistura crime e paixão."
Desgaste físico e emocional
A escalação para viver Michael veio por meio de um convite da produtora de elenco da Record, Mônica Teixeira. “Recebi o convite para o teste com pouquíssimo tempo para decorar duas cenas. Foi tudo muito rápido”, relembra. Surpreso ao ser aprovado, Caio afirma que não imaginava que o papel fosse seu. “Quando meu agente me ligou, achei que tinha passado em outro teste. Fiquei em choque.”
Estar presente em praticamente todas as cenas da série exigiu muito do ator. "Desde que começamos a gravar, só tive um único dia de folga. Foi um desgaste físico e psicológico enorme. A trama é pesada, trata de criminalidade no Rio. Então exige entrega total."
Caio reflete que a experiência tem sido desafiadora, mas também transformadora. "Ser protagonista é uma grande responsabilidade. Você precisa estar inteiro, com o emocional em dia e ainda lidar com muitas pessoas no set. Estou aprendendo a ser mais profissional, mais maduro, a respeitar meus próprios limites e os dos outros."
A fé como ferramenta de superação
A série, embora urbana e crua — com cenas de sexo, uso de drogas e violência —, também toca em temas espirituais, algo que não é novo na carreira de Vegatti, que já participou de tramas com viés religioso na Record, como Gênesis, Todas as garotas em mim e Reis. Ele revela ter uma relação pessoal com a fé. "Carrego essa conexão desde pequeno. Meus pais me ensinaram valores e princípios que levo até hoje."
Segundo o ator, a fé é também um elemento importante para compreender o arco de Michael. "Ele passa por situações que, sem fé, talvez ninguém suportasse. É uma jornada de redenção. A fé ajuda a enxergar o bem no outro e a cultivar empatia — algo que tento levar para minha vida e, inevitavelmente, acaba refletindo no meu trabalho."
A produção já teve uma primeira versão, com uma protagonista feminina, vivida pela atriz Louise Clós. Em Até onde ela vai, a história de Bárbara fala de uma infância marcada por traumas, agressões, violências domésticas. A menina tem surtos paranormais, escuta vozes, vê coisas e é descredibilizada pela família, que tem vários problemas emocionais que permeiam a história, tudo muito centrado nela, apesar de ela ter três irmãos, incluindo uma gêmea. Na vida adulta, a personagem reage de acordo com isso.
Currículo
Caio Vegatti acumula uma trajetória crescente no audiovisual. Ex-estudante de engenharia de produção e primogênito de quatro irmãos, o carioca foi incentivado pelos pais dentistas a seguir uma carreira tradicional. No entanto, ainda na escola, encontrou apoio em professores e colegas para investir no teatro. "Cria dos palcos", como ele se define, estreou na TV em Topíssima (2019), novela da Record, e depois participou do filme Pai em dobro, da Netflix, ao lado de Maísa Silva. Seu currículo também inclui atuação na série da Globo Sob pressão.
Diversão e Arte
Diversão e Arte
Diversão e Arte
Diversão e Arte