Um dos mais importantes festivais de curta-metragem do país terá início hoje no Cine Brasília. A 13ª edição do Curta Brasília — Festival Internacional de Curta-Metragem reúne mais de 120 filmes em 11 mostras. A programação é gratuita e vai até o dia 14 de dezembro. A cerimônia de abertura terá início às 17h com o cantor Hodari, que será homenageado e terá seu videoclipe exibido. O evento também contará com a presença de Claudio Abrantes, secretário de Cultura, Luandino Carvalho, adido cultural da Angola no Brasil, Silvio Nascimento, ator e vencedor do Globo de Ouro Angola e a diretora portuguesa Laura Gonçalves.
Esse ano, o tema do festival é Amazônia Latina e África. Ana Arruda, diretora do festival, afirma que é uma homenagem baseada nas bases identitárias brasileiras pois, muitas vezes, não existe um acesso à cinematografia desses locais, principalmente aos curtas-metragens. "A ideia do Curta Brasília é homenagear a Amazônia Latina, é ter uma amplitude sobre esse universo, porque embora o Brasil tenha a Amazônia presente, a gente não tem um convívio com imagético e com os filmes feitos lá", comenta Ana. A mostra Curtame Mucho: Amazônicas aparece pela primeira vez na programação e estreia com filmes do Brasil, Peru e Equador.
Segundo Ana Arruda, a África no festival é um sonho antigo, "Por meio de uma parceria com o Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa, centrado em produções lusófonas, temos uma seleção de filmes da Angola e de Cabo Verde", comenta. Os curtas-metragens serão exibidos na Mostra Sankofa: Conexão África.
Foram mais de 1.5 mil filmes inscritos de todos os estados brasileiros e do DF. "Teve um processo de seleção super comprometido com uma comissão de pré-seleção e de curadoria com pessoas que já trabalham no ramo há muito tempo e colocando a questão da diversidade presente tanto geográfica quanto de estética narrativa, ritmo e autenticidade, algo marcante no universo do curta-metragem", explica a diretora.
As histórias do Distrito Federal aparecem na Mostra Tesourinha, que agora apresenta duas sessões pelo aumento da produção local. "Os filmes do DF têm uma representatividade grande, tanto nas mostras nacionais quanto nas temáticas. A Tesourinha é uma das mostras mais lotadas no festival", ressalta Ana Arruda. "Vemos uma crescente considerável na quantidade e qualidades desses filmes, que tem uma linguagem própria", afirma. Ana define o crescimento através do aumento de políticas como o Fundo de Apoio a Cultura e a Lei Paulo Gustavo, mas também do empenho das produções independentes.
As 11 mostras trazem diferentes formatos. A Mostra Decibéis traz videoclipes e é uma categoria competitiva. "Videoclipe é considerado como curta metragem por toda sua inventividade", explica Ana. Já a Calanguinho Infantil é voltada para os pequenos, enquanto a SurdoCine reúne filmes para a comunidade surda e feitos por eles. A Mostra Audiocine projeta curtas com audiodescrição, pensados para o público cego e com baixa visão. A Mostra Provocações traz performances da drag Larissa Hollywood e curtas que trazem temas polêmicos para serem tratados por meio da arte.
Além disso, o Festival Curta Brasília é pioneiro em trazer narrativas imersivas com a Mostras CVR, que traz cinema em realidade virtual. "Essa diversidade toda de mostras está presente no festival. São quatro dias intensos que trabalhamos o ano todo para eles", comenta a diretora Ana Arruda. O festival também oferece debates com realizadores, oficinas e atividades formativas, área gastronômica com happy hour e mercado de economia criativa.
Por meio de um Júri Oficial e um Júri Popular, os vencedores levam para a casa o Troféu Curta Brasília, além de premiação e dinheiro nas seguintes categorias: Prêmio do Júri Oficial e do Júri Popular para o melhor curta-metragem da Mostra Nacional de Curtas, Prêmio do Júri Oficial e Popular para o melhor videoclipe na Mostra Decibéis de Videoclipes e Prêmio do Júri Popular infantil para o melhor curta-metragem da Mostra Calanguinho. Os vencedores das categorias de Melhor direção, Melhor roteiro, Melhor fotografia, Melhor atuação e Melhor montagem também levam troféus. Neste ano, a equipe do Correio Braziliense escolherá o melhor curta sobre Brasília.
Para a diretora do festival, Ana Arruda, o projeto, durante quatro dias, se torna um epicentro de encontros na capital. "Serve para a gente expandir nossa visão sobre diversos universos, conviver com artistas de várias cidades e países e lembrar que nossa capital pulsa criatividade e que, por meio das artes, a gente tem uma perspectiva mais ampla sobre a vida e sobre tudo", finaliza a diretora.
