Cinema

Em entrevista, Kleber Mendonça Filho celebra força de O agente secreto

Em entrevista ao CB. Poder, o diretor fala sobre premiações internacionais, sucesso de bilheteria, entrada no streaming e a importância de ter Recife como cenário

'O Agente Secreto' é indicado em duas categorias do Bafta, o Oscar britânico -  (crédito: BBC Geral)
'O Agente Secreto' é indicado em duas categorias do Bafta, o Oscar britânico - (crédito: BBC Geral)

O cinema brasileiro atravessa uma temporada histórica no circuito internacional e O agente secreto, de Kleber Mendonça Filho, se consolida como um dos grandes símbolos desse momento. Em entrevista exclusiva realizada por Sibele Negromonte para programa CB.Poder especial, o roteirista, produtor e diretor celebra as indicações ao Oscar, ao Bafta, ao César e a força do longa nas bilheterias, com salas cheias no Brasil e no exterior. Confira a entrevista: 

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No Oscar, o filme foi indicado a melhor seleção de elenco, Melhor filme internacional, Melhor ator para Wagner Moura e melhor filme. No Bafta, o longa concorre a Melhor filme de língua não inglesa e Melhor roteiro original. Já a indicação ao César 2026, nesta quarta-feira (28/1), foi para a categoria de melhor filme internacional. 

Para o diretor, cada reconhecimento carrega um peso simbólico. “Eu acho que tem uma simbologia forte de cada premiação e indicação. Acho que O agente secreto tem um prestígio bom internacional, o que reflete também no interesse pelo filme aqui no nosso país.” O resultado é expressivo. “O filme está chegando agora a 2 milhões de espectadores, que é um número absolutamente extraordinário”, acrescenta o diretor. 

Indicado ao Bafta de melhor roteiro original, Kleber afirma que o impacto do filme superou qualquer expectativa inicial. “Eu não tenho como esperar uma reação tão extraordinária a um filme como O agente secreto, porque cada filme é uma batalha”, destaca. Ainda assim, reconhece a dimensão do projeto: “Eu acho que é o meu maior filme, do ponto de vista de tamanho mesmo, e é uma história muito brasileira, com uma lógica universal.”

Ambientado no Recife e atravessado pela memória do Brasil de 50 anos atrás, o longa dialoga diretamente com temas contemporâneos. “O tema do poder ser usado para esmagar pessoas, infelizmente, não sai de moda. Isso está acontecendo agora, no mundo inteiro”, diz. Para o cineasta, a força do filme está justamente na possibilidade de múltiplas leituras. “Os melhores livros, filmes, música também, são aqueles que oferecem um espelho para você.”

O Recife, mais uma vez, ocupa lugar central na narrativa e na trajetória do diretor. “Recife é uma cidade que tem uma personalidade muito forte. Ela é complexa, muito longe de ser perfeita, mas o caldo cultural do Recife é muito instigante para mim.” Essa identidade também se reflete no elenco numeroso e diverso, amplamente celebrado desde a estreia em Cannes. “Eu gosto muito de gente. Eu quero que o filme seja bom pra todos eles e elas.”

Defensor histórico da experiência coletiva, Kleber reforça a importância das salas de cinema, mesmo em um cenário dominado pelas plataformas digitais. “Eu sou um grande defensor das salas de cinema.” Ainda assim, vê o streaming como continuidade, não ameaça. “Para mim, é o renascimento do filme depois da sala de cinema.” Com a entrada de O agente secreto na Netflix já anunciada, ele destaca: “Na hora que ele entrar, será a hora certa.”

Com a votação do Oscar em andamento e o filme expandindo a presença internacional, o diretor resume o momento com entusiasmo. “Eu estou muito feliz, cheio de energia. Eu gosto muito de fazer o que eu faço.”

 

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postado em 28/01/2026 14:46 / atualizado em 28/01/2026 16:28
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