
Foi ao som do frevo da Orquestra Popular do Recife, no Festival de Cannes, que, em maio passado, a equipe do longa O Agente Secreto deu largada no abre-alas para o portentoso sucesso para o filme duplamente premiado na França e habilitado para quatro estatuetas do Oscar, em meados de março de 2026.
Depois de o Brasil ver o êxito de Ainda estou aqui, premiado com o Oscar, e abraçado por envolvente trilha que incluiu Take Me Back To Piauí (Juca Chaves) e É preciso dar um jeito, meu amigo, de Erasmo Carlos, O Agente Secreto teve lançado nas plataformas digitais (pela ONErpm) o álbum completo com músicas originais do filme setentista. Com veia experimental e assentando clima tenso, trompetes, flauta, clarinete, fagote, violoncelo e piano entram na acústica do grupo de obras compostas e produzida por Mateus Alves e Tomaz Alves Souza.
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A supervisão musical foi centralizada em Amsterdã e no Recife. Vindos de outras colaborações com o cineasta Kleber Mendonça Filho, os irmãos Mateus (criador de músicas para Aquarius, em 2016) e Tomaz (do documentário Retratos Fantasmas, 2023) se reúnem, passada a mesma colaboração, em Bacurau (de Kleber e Juliano Dornelles).
De tradição experimental, Tomaz explora som criado por sintetizadores analógicos. Na carreira, trabalhou com os pernambucano Marcelo Gomes (Cinema, Aspirinas e Urubus) e ainda, recentemente, com Leonardo Lacca (Seu Cavalcanti). Mateus teve carreira projetada depois de tocar baixo elétrico. Na formação, foram fundamentais o curso de Música da Universidade Federal de Pernambuco, a passagem pela Orquestra Jovem do Conservatório Pernambucano de Música e ainda um mestrado londrino, na Royal College of Music. Na base, Mateus funde a ênfase meditativa com fundo atrelado à música nordestina.
Entre os desafios de Tomaz e Mateus Alves estiveram acoplar tensão, melancolia e suspense ao filme situado na ditadura, numa tonalidade às canções brasileiras usadas no premiado filme, que inclui de Angela Maria a Donna Summer, passando por Maestro Nunes (Cabelo de Fogo) e a Banda de Pífanos de Caruaru (da qual se ouve A Briga do Cachorro Com a Onça).

Diversão e Arte
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