O musical Raul fora da lei — A história de Raul Seixas é um fenômeno que Roberto Bomtempo nunca imaginou encenar quando subiu ao palco pela primeira vez, há 25 anos, ainda em um solo para contar a vida do músico. Mais de duas décadas depois, não há um ano em que Bomtempo não vista a pele de Raul para contar a história, com todos os altos e baixos, do homem que fez o Brasil inteiro cantar "eu prefiro ser….". Bomtempo esteve em Brasília no ano passado com o musical e, neste fim de semana e no próximo está de volta, com apresentações no Sesc Gama, onde os ingressos estão esgotados, e no Teatro da Caixa Cultural. "Raul vai andando pelas próprias pernas", brinca o ator, que desembarcou em Brasília na quinta-feira, vindo de Portugal, onde mora há seis anos.
Falar que Raul Seixas estava à frente de seu tempo, para Roberto Bomtempo, pode ser óbvio e um pouco clichê, mas é inevitável, especialmente quando se constata o sucesso do musical por praticamente um quarto de século. "Desde quando estava vivo, compondo as músicas, ele já estava à frente. Os anos foram passando e, depois que ele morreu, a gente continuou falando dele. As letras, a visão de mundo… Ele continua sendo isso", diz o ator. "E tem um lado muito forte da obra dele hoje em um tempo em que a sociedade anda para trás, e não pra frente. A gente acreditava que estaria vivendo, hoje, em um mundo mais amoroso, mais aberto. Mas não, a gente está vivendo em um mundo de fechamento de portas, de muros entre fronteiras, de radicalização. E Raul falava 'o planeta é nosso, todo mundo tem o direito de viver livremente'. Isso em 1974…".
O encontro entre Roberto Bomtempo e Raul Seixas remonta aos anos 1990. Não foi um encontro físico, porque os dois nunca se conheceram, mas um encanto artístico. Raul morreu em 1989. No ano seguinte, Bomtempo gravava cenas da novela Ana Raio e Zé Trovão, trabalho que o fez viajar por todo o Brasil, quando se deparou com uma caixa de fitas K7 gravadas com toda a obra do autor de Gita. No total, eram 24 caixas. Bomtempo comprou as fitas e passou a ouvi-las em um walkman enquanto viajava Brasil afora gravando a novela. Ficou fascinado e mergulhou na produção de Raul Seixas de ponta a ponta. "Me identifiquei muito. E aquilo ficou na minha cabeça", conta.
No final da década de 1990, o ator decidiu montar um monólogo sobre o músico. Pesquisou e escreveu o texto com José Joffily. Para dirigir, chamou o amigo Deto Montenegro, professor e criador da escola Oficina de Menestréis. "Eu era amigo do Bomtempo desde garoto e, quando fui assistir ao monólogo, fiquei empolgado e me deu vontade de transformar o musical em algo coletivo, criar algumas cenas, coreografias. A gente foi coletivizando o espetáculo, com participação dos menestréis", conta Montenegro.
O coro foi incorporado à peça, que virou um musical com sucessos de Raul Seixas cantados tanto por Bomtempo quanto pelos menestréis acompanhados de banda. Na capital, quem assume essa função é a SOS Toca Raul. "Os menestreis têm um papel muito musical, alegre, coreográfico, ilustrativo", avisa Montenegro. "Acaba dando cor às cenas, às músicas. Agora, o público tem uma ilustração do que era a música. Para mim, o destaque maior é a interpretação do Bomtempo: ele faz um Raul sem imitar o Raul. Não tem aquela coisa do visual do Raul, de compor o personagem. Ele conta a história sem ser caricato."
Raul fora de lei faz parte do repertório de Bomtempo e divide espaço com outros projetos. Em 2 de fevereiro, ele estreia a série Dona Beja, na HBO Max, remake da novela veiculada na Rede Manchete em 1986. O ator também está em fase de conclusão de um documentário sobre a companhia de teatro Dos à deux. Em maio, ele estreia dois espetáculos em Portugal. Um com texto de Ingrid Guimarães e Carol Machado, sobre duas avós octogenárias, e outro fruto de uma parceria com a mulher, Miriam Freeland, sobre os últimos anos do escritor Anton Tchekov.
Em maio, ele também faz duas sessões de Raul fora da lei em solo português. Será a segunda vez que leva o musical à Europa. "Sempre tive medo de fazer, porque o português não conhece o Raul. Em novembro de 2024, fiz uma sessão numa casa de show e foi lotado de brasileiro. Este ano vou fazer duas vezes", conta o ator, que pensa em voltar a morar no Brasil, mas ainda não tomou a decisão. "O Brasil é essa potência cultural forte. E Portugal é quase uma província do Brasil, a verdade é essa, em termos de tamanho e representatividade", garante.
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