Goiana de Santa Tereza, criada em Brasília desde os 2 meses de idade, Nathália Cruz vive um daqueles capítulos que parecem roteirizados: estrear na teledramaturgia em Coração acelerado, novela das sete ambientada no universo sertanejo do Centro-Oeste.
"10 de 10 para o roteiro desse episódio da minha vida", brinca, ao falar da coincidência de interpretar Eva, uma assistente perspicaz, em uma trama que ecoa suas próprias origens. A personagem trabalha para Zilá, vivida por Leandra Leal, em uma dinâmica de conflitos cotidianos. "Ela é do bem, mas não é boba", define Nathalia, destacando o desafio de interpretar alguém contido, após anos associada ao humor expansivo.
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A ambientação da novela em uma fictícia Bom Retiro soa como uma volta às raízes. "Festa de peão, rodeio, Caldas Country... Posso dizer que foram bons anos de laboratório pelos interiores goianos que me formaram como Eva. É uma delícia falar de um universo que também é muito parte de quem eu sou", comemora a atriz de 36 anos.
Esse reencontro trouxe até um desafio vocal. "Nas primeiras semanas, o desafio era voltar a falar com o sotaque que passei a vida toda tentando neutralizar", relata a sagitariana, frisando que se trata de um exercício que, para ela, foi difícil, mas profundamente satisfatório.
Mosaico de funções
Sua trajetória é um mosaico de funções: publicitária formada pela Universidade de Brasília (UnB); atriz e humorista; roteirista do Porta dos Fundos, do sitcom Tô nessa (Globo) e da série Pablo & Luizão (Globoplay); escritora; e criadora de conteúdo com mais de 435 mil seguidores (@nathaliapontocruz). Perguntada se essa bagagem a ajudou, Nathália é pragmática: "Fatalmente trabalhar com humor aumentou minhas chances".
No entanto, reconhece a novela como um universo à parte, uma "superprodução que exige mais do que saber atuar". O conhecimento de bastidor, porém, é uma vantagem. "Costumo respeitar e ‘ouvir’ muito o que o roteiro tem a dizer", ela explica, evidenciando o diálogo entre a atriz e a roteirista que habita nela.
Criada em um Distrito Federal de contrastes até os 23 anos, Nathália credita à capital federal um olhar aguçado. "Essa fusão de falas, jeitos e culturas é uma importante vantagem na hora de criar", analisa. Agora, dividindo-se entre Arniqueiras, no DF, e o Rio de Janeiro, ela encara a rotina intensa das gravações com realismo, conciliando a agenda com a vida de mãe de dois filhos pequenos. É preciso certo malabarismo pra ajustar horários e presenças... Mas, tem rolado", pontua.
No set, o aprendizado é diário, especialmente ao lado de Leandra Leal. "Cada dia de gravação com ela é uma graduação pra mim", elogia, citando também a técnica de Isabelle Drummond. Sobre o salto para a dramaturgia das sete, depois de atuar em programas de humor e séries, enxerga continuidade: "Me vejo indo e voltando nos caminhos que a arte me abrir".
Novo público
Quanto ao seu público fiel das redes sociais, teme que seja uma plateia distinta da da novela. "Tenho minhas dúvidas do quanto esse público é compartilhado. Não sabemos ainda como se dá essa divisão, mas a minha impressão é a de que esse público fiel das redes (que eu amo) não está ali todos os dias acompanhando novela. A sensação é a de que estou estreando para um outro público e a expectativa é a de que eu agrade. Outro formato, outra forma de comunicar...", pondera.
Por fim, sobre a importância de Coração acelerado apostar na diversidade e nas histórias do Centro-Oeste, é enfática: "Acho ótimo poder ajudar a contar outras histórias, de outras partes do Brasil. Nossa região é geograficamente interiorana e esse movimento de olhar e caminhar para dentro é uma metáfora legal de se pensar".
Para Nathalia Cruz, Eva é mais que uma estreia, mas a convergência de uma vida entre dois Brasis, do humor observacional de Brasília ao ritmo industrial da tevê, em uma narrativa que, finalmente, fala a língua de sua família. "Acho ótimo poder ajudar a contar outras histórias, de outras partes do Brasil. Nossa região é geograficamente interiorana e esse movimento de olhar e caminhar para dentro é uma metáfora legal de se pensar. Tem muita gente, história, música e comida boa por aqui. Precisamos alarmar isso!", conclui.
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