Artes visuais

Mostra de arte traça influência do modernismo em Brasília

Exposição reúne obras de 18 artistas para contar como o movimento influenciou a história das artes plásticas na capital federal

O primeiro núcleo da exposição reúne nomes que chegaram com a inauguração da cidade, como Bruno Giorgi, Alfredo Volpi e Rubem Valentim -  (crédito: Divulgação)
O primeiro núcleo da exposição reúne nomes que chegaram com a inauguração da cidade, como Bruno Giorgi, Alfredo Volpi e Rubem Valentim - (crédito: Divulgação)

O Cerrado como terra de extremos, que deu vida à maior expressão modernista do país enquanto abrigava, também, um dos lados mais autênticos da cultura sertaneja, é o tema da exposição Modernismos: uma e muitas Brasílias, que abre o ciclo de 2026 da Cerrado Galeria. Para falar da utopia moderna que moldou a capital sem deixar de lado o fato de que a cidade surgiu em uma vasta área rural, o curador Carlos Silva reuniu obras de Alfredo Volpi, Roberto Burle Marx, Athos Bulcão, Lêda Watson, Glênio Bianchetti, Betty Bettiol, Stella Maris, Bruno Giorgi, Milton Ribeiro, Douglas Marques de Sá, Rubem Valentim e outros artistas. 

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São artistas cujas atuações fizeram parte da construção da cena de artes plásticas na cidade, mas também há nomes contemporâneos e atuantes, como Gisel Carriconde e Wagner Barja, que continuam a alimentar e movimentar a produção brasiliense. "É um evento integrado que funde a Cerrado Brasília com a Cerrado Goiânia em torno da presença do modernismo no Centro- Oeste", explica o curador.

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"Nessas duas cidades, temos um modelo planejado modernista e, em Brasília, a exposição é focada na fase inicial, nas décadas de 1960 e 1970." Para reunir as obras, muitas delas raramente vistas em exposições sobre o modernismo, Silva mergulhou em pesquisas e acervos com a intenção de levantar nomes importantes acerca da identidade e do patrimônio construídos ao longo de duas décadas na capital federal.

O primeiro núcleo da exposição reúne nomes que chegaram com a inauguração da cidade, como Bruno Giorgi, Alfredo Volpi e Rubem Valentim. Giorgi é o autor do célebre Meteoro, a escultura em mármore que flutua sobre o espelho d'água do Palácio do Itamaraty. Na exposição, uma versão menor da escultura permite observar como o artista investiu em estudos refinados enquanto concebia a obra. De Volpi, autor do Sonho de Dom Bosco, painel pintado também no Itamaraty, a exposição traz uma pintura emblemática da fase das fachadas, estilo que tornou o artista um dos nomes mais importantes da pintura brasileira dos anos 1940. 

O núcleo seguinte é dedicado à história recente da cidade e à importância do Instituto de Artes da Universidade de Brasília (IDA/UnB) na formação de artistas e no fomento de uma produção ancorada na pesquisa e na experimentação de linguagens. Nomes como Milton Ribeiro, Douglas Marques de Sá, Glênio Bianchetti e Athos Bulcão figuram nesse núcleo como elementos fundamentais no impulso explorador da produção das décadas de 1970 e  1980. 

Em paralelo, a exposição também traz iniciativas que ocupavam a cidade e não tinham vínculo acadêmico. É o caso do pintor peruano Félix Barrenechea, da portuguesa Minnie Sardinha com suas tapeçarias naif, e dos ateliês comunitários, responsáveis por encontros de artistas e experiências produtivas especialmente na área da gravura. Entram nessa leitura Lêda Watson e Betty Bettiol.

"Temos figuras vinculadas a instituições e essas outras figuras que viveram pela cidade a partir de ações de ateliês ou das próprias casas e, com isso, agenciam um pensamento modernista inserido num planto central cuja matriz é bastante sertaneja, caipira", diz Carlos Silva.

A exposição, ele explica, equilibra expoentes de tradições do modernismo tardio, que vieram com a inauguração de Brasília e que mantêm uma certa figuração, e uma corrente mais ancorada no abstracionismo. "De certo modo, uma das coisas que a gente pode constatar é essa potência extraordinária entre a figuração e a abstração com as quais lidamos, inclusive, hoje", diz o curador. 

Para montar a exposição, foi preciso mergulhar em dois acervos considerados fundamentais para a formação plástica da cidade: o do Museu de Arte de Brasília (MAB) e o da Casa da Cultura da América Latina (CAL), além da Fundação Athos Bulcão. "E também algumas coleções privadas, como a da família Bianchetti, de Douglas Marques de Sá, de Wagner Barja e de Gisel Carriconde. E, com isso, a gente foi recebendo uma série de obras que não circulam com frequência entre nós", garante o curador. "A exposição dá um recado acerca da importância da construção da memória, do patrimônio." 


Modernismos: uma e muitas Brasílias

Curadoria: Carlos Silva. Com obras de Ailema Bianchetti, Alfredo Volpi, Athos Bulcão, Betty Bettiol, Bruno Giorgi, Douglas Marques de Sá, Félix Barrenechea, Glênio Bianchetti, Lêda Watson, Maciej Babinski, Marília Rodrigues, Milton Ribeiro, Minnie Sardinha, Paulo Iolovich, Roberto Burle Marx, Rubem Valentim, Solange Escosteguy e Stella Maris. Visitação até 18 de março, de segunda a sexta, das 10h às 19h, e sábado, das 10h às 13h, na Cerrado Cultural (SHIS QI 05, Chácara 10, Lago Sul)

 


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    Cores_e_formas_a_serviço_do_ amor_muitas_vezes_com_tempo_definivel_StellaMaris_1967_FotoDiegoBresani Foto: Divulgação
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    Duas Mulheres, de Glenio Bianchetti Foto: Diego Bresani
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    Fabricas da luz, de Douglas Marques de Sá Foto: Diego Bresani
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    Meteoro_BruMeteoro_BrunoGiorgi_SemData_FotoSergioGuerininoGiorgi_SemData_FotoSergioGueriniMeteoro_BrunoGiorgi_SemData_FotoSergioGueriniMeteoro_BrunoGiorgi_SemData_FotoSergioGuerini Foto: Sergio Guerini
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    SemTitulo_AlfredoVolpi_decada1960_FotoSergioGuerini Foto: Divulgação
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    NaPenumbraDosLabirintos_LedaWatson_1977_FotoDiegoBresani Foto: Divulgação
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    O Sapateiro, de Ailema Bianchetti Foto: Diego Bresani
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    Ritmo de luz, de Felix Barrenechea Foto: Diego Bresani
  • Sem título, Betty Bettiol
    Sem título, Betty Bettiol Foto: DiegoBresani
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    SemTitulo_AthosBulcao_1974_FotoDiegoBresani Foto: Divulgação
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    SemTitulo_BurleMarx_SemData_FotoSergioGuerini Foto: Divulgação
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    Alfredo VolpiFoto Foto: Sergio Guerin
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    Sem Título, de Athos Bulcão Foto: Diego Bresani
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    Maciej Babinski Foto: Alexandre Beltran
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    Sem título, de Maciej Babinski Foto: AlexandreBeltran
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postado em 25/02/2026 03:12
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