Música

"Me recebeu de braços abertos", diz Ney Matogrosso sobre Brasília

Ícone da música brasileira, cantor apresenta o espetáculo Bloco na rua neste sábado (28/2), às 21h, no Ulysses Centro de Convenções. Ao Correio, o artista fala sobre a relação com a capital onde morou na década de 1960

 Ney Matogrosso
       -  (crédito: Marcos Hermes/Divulgação)
Ney Matogrosso - (crédito: Marcos Hermes/Divulgação)

Ney Matogrosso divide uma história afetuosa com Brasília desde quando a cidade ainda era "a nova capital" e ele tinha apenas 20 anos. Em 1961, Ney de Souza Pereira chegou ao Planalto Central e se instalou no apartamento de um primo na Asa Sul. Enquanto trabalhava no Hospital de Base, começou a se interessar pela música, cantando em bares, casas noturnas e até mesmo no Coral Madrigal de Brasília, regido à época pelo maestro Levino de Alcântara. Entre idas e vindas, ele se despediu definitivamente do quadradinho em 1970, mas sem nunca esquecer o lugar que foi crucial na formação como artista. Neste sábado (28/2), o vocalista retorna ao Ulysses Centro de Convenções com apresentação única do espetáculo Bloco na rua, às 21h.

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"Eu tenho o maior prazer de voltar a cantar em Brasília", declara Ney Matogrosso. "É uma cidade que me recebeu de braços abertos desde o início da minha carreira", afirma o cantor. No Planalto Central, o artista se apresentou como parte do Secos & Molhados e debutou a carreira solo com o show Homem de Neanderthal. Desde então, a capital é parada obrigatória nas turnês do músico.

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Em cartaz desde 2019, Bloco na rua é um dos espetáculos de Ney que teve múltiplas passagens por Brasília — a mais recente delas, em junho do ano passado, com ingressos esgotados. A apresentação de hoje, porém, não é a mesma de sete anos atrás, explica o cantor. "Da metade para frente (da turnê), o show já não era o mesmo", destaca o artista. "Só de mudar o repertório, já vai virando outra coisa. E essas alterações são feitas para mim mesmo, sabe? Para me manter interessado", explica o vocalista.

Nas mudanças feitas por Ney, Ex-amor, de Martinho da Vila, deu espaço para Mesmo que seja eu, de Erasmo Carlos, por exemplo. "Eu coloquei algumas músicas que não são novas, mas que são novidade na minha boca, no meu show", pontua o artista. "São algumas faixas que eu nunca cantei, mas que sempre pensei em cantar", revela o sul-mato-grossense. Além de apresentar outras releituras, como Jardins da Babilônia, de Rita Lee, e Eu quero é botar o bloco na rua, canção de Sérgio Sampaio que dá nome à turnê, ele promete revisitar sucessos como O vira e Sangue latino, do Secos & Molhados.

Entrevista//Ney Matogrosso

Brasília é uma cidade que tem uma importância muito grande tanto na sua vida profissional, quanto pessoal. Que visão você tem da cidade nos dias de hoje, quando vem se apresentar?

Olha, eu tinha muitos amigos em Brasília, muitos mesmo, mas eu acho que não restou quase nada. Aquelas pessoas que eu encontrava quando eu ia aí não existem mais. Então, eu me sinto quase que chegando numa cidade que não conheço, sabe? Mas  vou sempre aí e tenho o maior prazer de voltar a cantar em Brasília. É uma cidade que me recebeu de braços abertos desde o início da minha carreira.

Muitos artistas dizem que a vida na estrada é cruel e cansativa. Como você se sente quando está em turnê?

Eu ainda gosto muito. Eu sempre gostei muito de trabalhar e de viajar. Quer dizer, o ano passado foi excessivo. Eu cheguei no fim do ano muito cansado, mas agora já combinei que não faremos daquela forma, será mais calmo. Eu não quero parar de trabalhar, mas eu não preciso que seja naquela velocidade e naquela quantidade. Podem ser menos shows por semana, porque eu estava fazendo duas, três cidades de uma vez. Não precisa disso, né? Se eu fizer uma cidade a cada fim de semana, já está ótimo.

Após a estreia do filme Homem com H, você notou uma renovação do público que vai a seus shows?

Eu tenho visto muitos adolescentes e crianças na plateia, mas acho que isso é independente do Homem com H, porque o filme era proibido para menores. Mas é muito interessante, porque o público está se renovando, sim, eu vejo na minha frente.

A rebeldia sempre foi um traço muito forte da sua personalidade. Você ainda se considera rebelde?

Eu acho que  nasci assim (risos). Porque, na verdade, eu só faço o que quero. Ninguém me diz o que fazer, sabe? Eu é que decido tudo que vou cantar, o que vou vestir… Foi assim desde o começo. E não tem porque mudar, está dando certo.

Você acha que essa liberdade que você impõe é o motivo de tanto sucesso e longevidade na carreira?

Eu acho que sim, porque nunca me submeti à moda. Eu nunca me submeti a essa coisa do "o que se está cantando agora". Eu canto sempre o que quero. Mas faço tudo com muito prazer.

Você é muito aberto em relação à sua vida pessoal e sempre falou de temas sensíveis, como sua relação com seu pai e as pessoas que você perdeu para a Aids. Como é abraçar essa vulnerabilidade sendo uma pessoa pública?

Tudo tem hora certa e lugar certo. Eu não oculto nada na minha vida. Nunca ocultei, pelo contrário. Eu sempre briguei pelo direito de falar o que fosse verdade para mim. Nunca me preocupei em agradar. Eu acho que assim, vai agradar a quem gostar de mim, independentemente do que eu penso e da maneira que eu sou. Na primeira vez que eu fui numa estação de rádio, as pessoas conversaram comigo sobre tudo, inclusive sobre sexo, e eu fui muito bastante explícito nas respostas. Já na segunda vez, tinha um aviso da censura falando que a emissora seria responsável pelo que eu dissesse. Para você ver como era, você não podia expressar sua verdade, porque nada podia. Mas eu sempre lutei contra isso e sempre encarei essa onda.

Recentemente, você foi alvo de grandes homenagens — além de Homem com H, sua vida e obra foram louvadas no desfile da escola de samba Imperatriz Leopoldinense. Como foram essas experiências? Você consegue assimilar a importância de seu trabalho para a música brasileira?

Eu nunca me preocupei em ser importante ou não para a música. Sempre fiz o que me deu na na cabeça. Mas eu fico satisfeito de ver, por exemplo, o sucesso do filme, porque ali só tinham verdades. E as pessoas podem até achar que é uma coisa excessiva, mas elas respeitam isso. Elas me falam assim: "Ah, mas tem muito sexo no filme". E eu respondo: "Pois é, mas naquela época eu era assim". Eu não podia pedir para eu fazer um filme chapa branca, não é?

Serviço

Bloco na Rua Tour 2026

Sábado (28/2), às 21h, no Ulysses Centro de Convenções

Ingressos podem ser adquiridos por meio da plataforma on-line Bilheteria Digital e nas lojas Barbearia Elvis (DF Plaza Shopping, Taguatinga Shopping e JK Shopping) e Koni (209 Sul e 101 do Sudoeste), a partir de R$ 280 (meia-entrada)

Classificação indicativa: 14 anos.

 

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postado em 28/02/2026 06:00
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