No carnaval carioca de 2020, a Unidos de Vila Isabel entrou na Sapucaí com uma proposta inusitada. O samba enredo Gigante Pela Própria Natureza: Jaçanã e Um Índio Chamado Brasil levou para a avenida a história de Brasília como uma lenda indígena.
“Brasília, joia rara prometida. Que Nossa Senhora de Aparecida estenda o seu manto pro povo seguir”, inicia a composição que narra a construção da capital federal a partir do sonho de um cacique.
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O tema que homenageou os 60 anos de Brasília foi desenvolvido pelo carnavalesco Edson Pereira, em parceria com os antropólogos Clark Mangabeira e Victor Marques. A composição do samba enredo é assinada por Julio Alves, Cláudio Russo e Chico Alves.
A Vila Isabel desfilou no Grupo Especial, com a atriz Aline Riscado como musa. O carro alegórico representando uma reluzente Catedral de Brasília foi um dos destaques da apresentação, que rendeu à escola de samba os prêmios de Estrela do Carnaval (melhor desfile do ano) e Estandarte de Ouro (melhor bateria).
“Gigante pela própria natureza”, apesar dos elogios, garantiu à Unidos da Vila Isabel o oitavo lugar entre as demais. Alegorias, comissão de frente e bateria receberam nota máxima, mas a agremiação perdeu pontos nos demais quesitos.
Outras homenagens
Brasília também foi homenageada pela Estação Primeira de Mangueira e pela Beija-Flor. A primeira apresentou o samba enredo De Nonô a JK, em 1981, para contar a história de Juscelino Kubitschek, desde as origens em Diamantina (MG) até a construção da capital federal. O desfile contou com a reprodução do Memorial JK em um dos carros alegóricos e rendeu o quarto lugar à Mangueira.
Já a Beija Flor, apresentou, em 2010, o samba enredo Brilhante ao sol do novo mundo, Brasília: do sonho à realidade, a capital da esperança para homenagear os 50 anos de Brasília. A escola de samba se classificou em terceiro lugar, mas o desfile acabou ofuscado pelo escândalo do Mensalão, que resultou na prisão do então governador de Brasília, José Roberto Arruda, às vésperas do carnaval.
