
O livro Mulheres de Pedra, do fotógrafo e jornalista Alexandre Augusto, lançado pela Editora Noir, conta a história de baianas que sustentam suas famílias com o trabalho braçal nas pedreiras da Chapada Diamantina. Com 58 fotos, a obra expõe o cenário de invisibilidade social que atravessa gerações: mães, filhas e netas submetidas a um trabalho de baixa remuneração e fora do debate público.
Sob sol intenso e condições precárias, elas seguem uma rotina exaustiva e recebem apenas R$ 0,15 por unidade de paralelepípedo produzido. O livro segue essas mulheres após o fim do expediente de trabalho e retrata as outras responsabilidades que precisam enfrentar no cenário doméstico: cuidar da casa, dos filhos e da alimentação de toda a família. “Na Chapada, essas mulheres trabalham na pedreira sob o sol forte, cuidam da casa, dos filhos e, quando a noite chega, ainda há comida pronta na mesa. Foi isso que encontrei. Minhas fotos tentam guardar essa força silenciosa, que resiste sem aplauso, sem discurso e sem proteção”, afirma Alexandre.
Alexandre começou o projeto documental em 2015 e publicou o primeiro livro em 2018. Dez anos depois, ele voltou à Chapada Diamantina e reencontrou as mulheres fotografadas. O jornalista conta que algumas famílias conseguiram melhorar minimamente suas condições de vida, porém, as filhas e netas dessas mulheres, em muitos casos, seguiram com o legado do trabalho nas pedreiras. “Agradeço a Deus todos os dias pela pedra. Foi com a pedra que criei meus filhos. É com a pedra que hoje eles criam meus netos”, relata uma das trabalhadoras retratadas no livro.
Serviço
Mulheres de Pedra
De Alexandre Augusto. Editora Noir, 140 páginas. R$ 119,90.

Diversão e Arte
Diversão e Arte
Diversão e Arte