Ceilândia recebe, neste sábado (21/3), a 1ª edição do Festival Samba DF para celebrar o Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial. Além de sambistas locais, o evento reúne culinária, economia criativa e história em um só lugar.
Fruto da parceria entre o Instituto Black Spin e a Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec-DF), o Festival Samba DF abrirá espaço para a pluralidade de artistas e grupos locais na programação oficial por meio de um chamamento público.
Marcelo Café, artista e organizador do evento, reforça o caráter colaborativo do Festival e que o chamamento de artista foi uma maneira de democratizar o palco. “O Samba DF é construído a várias mãos”, explica. “Acreditamos que esses artistas merecem um olhar cuidadoso, uma vez que já exportamos instrumentistas, cantores, e grupos de samba e pagode pelo país”.
O organizador também afirma que a decisão de levar o Festival para Ceilândia reflete a importância da cidade na cultura do Distrito Federal.
“É uma cidade que pulsa samba, rap, forró, pagode e diversas outras manifestações de rua relacionadas à cultura negra periférica”, declara, lembrando que março é o mês de aniversário de Ceilândia.
Sobre o Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial, Marcelo aponta que o Samba DF é um ato político. “Executá-lo nesse dia condiz com a trajetória do Samba, com a luta de negros e negras escravizados que cicatrizam o Brasil sob a violência colonial, mas suberveteram a ordem com festa, criatividade e reinvenção de vida”, diz.
Durante a tarde, o coletivo Samba Pagode Cultura e Futebol e o Samba da Guariba ficarão responsáveis por comandar as rodas, com convidados como Cris Pereira, Dhi Ribeiro, Milsinho e Breno Alves celebrando a cultura negra do Distrito Federal. Em seguida, os artistas selecionados por chamamento público assumem o palco com o show de encerramento.
Tecnologia de terreiro
Quem comparecer ao Festival também terá a oportunidade de participar da feira de artesanato organizada pelo instituto Kitanda Cultura de Terreiro. Para Luazi Luango, presidente da organização, a atuação no evento será mais que uma exposição de produtos: “Trata-se de um exercício de soberania”.
Luazi afirma que a feira bebe da fonte de sistemas de auxílio mútuo gerados pela diáspora brasileira e geração de renda como resposta ao racismo. “Inspiramo-nos na potência de articulação das mulheres negras - as crioulas, as ganhadeiras, as quituteiras, no tabuleiro das baianas que foram verdadeiras diplomatas da cultura de terreiro”, aponta.
O presidente do instituto Kitanda destaca a relação indissociável e estruturante entre as rodas de samba e os espaços de ancestralidade negra. “O samba não é apenas entretenimento”, observa. “É uma tecnologia ancestral de coesão social e econômica. Quando trazemos a rede do Instituto Kitanda para o Festival, estamos reafirmando que o samba é a expressão máxima de um território que produz saber, gera renda e sustenta identidades”.
Festival Samba DF – 1ª Edição
Data: 21 de Março (Sábado)
Horário: Das 12h às 22h
Local: Ceilândia Sul EQNN 18/20
Entrada: Gratuita
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