Na superprodução Dona Beja, da HBO Max, a força de um personagem nem sempre vem do que é dito, mas do que é vivido em cena. É nesse espaço de contenção que Arthur Alavarse dá vida a Rômulo, o fiel cocheiro e segurança da chácara da protagonista interpretada por Grazi Massafera. Com o lançamento do último bloco de capítulos da trama assinada por Daniel Berlinsky e Antonio Barrera, o público agora acompanha de perto a trajetória de um homem que se define pela lealdade e pelas atitudes.
Rômulo não é apenas um empregado, mas o resultado de uma trajetória de sobrevivência. Moldado por uma origem humilde e pela escassez de oportunidades, o personagem aprendeu a transitar em um sistema social que exige conformidade. "Ele é um produto do meio, das circunstâncias e das escolhas possíveis dentro daquele sistema. Ele vem de uma origem muito simples e aprendeu, desde cedo, a performar o que precisava ser para sobreviver", explica Arthur Alavarse.
Na dinâmica da casa, ele ocupa um lugar de confiança absoluta, mas que exige uma "invisibilidade" estratégica. Segundo o ator, essa postura é quase fantasmagórica: "Ele precisa estar presente sem ocupar espaço. Precisa se impor sem ser visto, quase como um fantasma que executa, observa e obedece".
Para Arthur, o papel na série da HBO Max toca em uma ferida social profunda: a rotina daqueles que mantêm as engrenagens do mundo girando sem serem notados. Rômulo aceita seu destino sem o peso da amargura, encontrando um propósito no cumprimento de sua missão. "Ele representa uma estrutura social onde muitas pessoas acordam para cumprir uma função e voltam para casa para repetir essa função no dia seguinte. Ele não vive isso com revolta. Existe até uma certa dignidade nessa aceitação", reflete o ator, que também soma passagens por grandiosas produções bíblicas da RecordTV, como Paulo, o apóstolo e Reis.
Essa entrega se traduz em uma lealdade inabalável a Beja, fundamentada no pertencimento. Para ele, a traição seria uma negação de si mesmo. "A lealdade dele não é cega. Ela nasce de um sentimento de pertencimento. Se em algum momento ele traísse essa confiança, isso geraria um conflito enorme, porque a identidade dele está muito ligada a essa função", defende Arthur.
Do papel à pessoa
O grande ponto de virada na jornada de Rômulo acontece pelo afeto. Ao se apaixonar por uma das jovens sob a proteção de Beja, o "cocheiro" dá lugar ao "homem", quebrando o ciclo automático de sua existência. "Quando ele se apaixona, algo raro acontece. Pela primeira vez ele para de performar. Ele deixa de ser apenas o cocheiro ou o segurança e começa a se enxergar como homem", avalia Arthur.
Essa humanização é o que define o arco dramático do personagem de forma poética. Conforme resume o ator: "Enquanto ele está na chácara, ele é papel. Quando ele ama, ele vira pessoa".
Com 29 anos de carreira, iniciados ainda na infância, Arthur Alavarse vê em Rômulo o reflexo de sua própria evolução profissional. Atualmente, o ator busca personagens que o permitam explorar a complexidade através da economia de gestos, priorizando a densidade emocional sobre os artifícios técnicos. "Tenho me interessado menos por efeito e mais por presença. Mesmo quando não escolho o papel, escolho como vou habitá-lo", conclui.
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