
Ana Costa começa o ano com grandes projetos no ar e uma carreira que, há mais de 10 anos, se constrói com consistência e versatilidade. A atriz, natural de São Raimundo Nonato, no Piauí, ganhou mais visibilidade em Tremembé, com o papel de Ana Rita, uma agente de segurança penitenciária que trazia um tom de humor à história. “Apesar de um trabalho pequeno, teve uma ótima repercussão”, conta Ana, que estreou a série Emergência radioativa, na Netflix, no último dia 18.
Na produção, ela interpreta Antônia, uma personagem que exige densidade e cuidado, em uma trama baseada no real acidente com Césio-137, em Goiânia. Para dar vida a essa figura, o processo de preparação foi rigoroso. Além do trabalho de elenco, ela mergulhou no contexto real. “Eu estudei bastante o contexto do acidente e tudo que envolve o caso do Césio-137, porque não tinha como entrar nesse universo sem entender o peso real daquilo. Era importante tratar o tema com respeito e responsabilidade. Foi uma preparação muito emocional, mas também muito técnica, de escuta, de presença e de verdade”, explica.
A série aborda uma situação de alta tensão e risco, e Ana precisou encontrar um equilíbrio emocional para dar verdade às cenas mais intensas. “Eu trabalhei muito com a ideia de contenção. Porque em situações extremas, às vezes, a pessoa nem consegue ‘explodir’, ela só tenta sobreviver, respirar, proteger quem está perto. Então eu fui buscando esse lugar: como a Antônia reage quando ela percebe que tem algo errado? Como ela segura o medo pra não desestabilizar os outros? Foi um trabalho muito no corpo, no olhar, no silêncio mesmo”, relata.
Para ela, o suporte da equipe foi fundamental: “E eu também tentei não carregar tudo sozinha, sabe? A troca com o elenco ajudou demais, porque tinha um clima muito forte de parceria. Isso faz toda diferença quando você precisa acessar emoções tão intensas sem cair no exagero”.
Natureza do roteiro e marco na trajetória
O que a levou a aceitar o projeto, no entanto, não foi apenas o desafio técnico, mas a natureza do roteiro. “Fiquei tranquila em perceber que não era uma série só pra entreter. Era uma narrativa com responsabilidade, com peso humano, com um cuidado real em contar aquilo com dignidade. E também me pegou muito o fato de ser uma história sobre pessoas comuns. Gente que estava vivendo a vida normal e, de repente, tudo muda por causa de uma negligência absurda”, conta Ana.
Para a atriz, esse papel representa um marco significativo em sua trajetória. “É a minha primeira personagem como elenco principal em uma produção desse tamanho. E é muito especial porque não é qualquer personagem. A Antônia tem uma função muito importante dentro da trama, ela movimenta a história. É uma personagem que exige presença, escuta, verdade, e que não permite que você faça ‘pela metade’. Foi um trabalho que me colocou num lugar de mais responsabilidade e também de mais confiança no meu próprio caminho”, comemora.
A experiência, tão extrema em cena, deixou marcas também fora dela. “Profissionalmente, eu sinto que eu cresci muito em concentração e em entrega emocional com precisão. Porque esse tipo de história exige verdade o tempo inteiro. E pessoalmente… eu saí muito mexida. Emergência radioativa me fez pensar muito sobre responsabilidade, sobre o quanto a negligência pode destruir vidas, e sobre como a gente precisa valorizar o cuidado, o coletivo, o outro”, conclui.

Diversão e Arte
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