
Irlam Rocha Lima
Oswaldo Montenegro antecedeu Paralamas do Sucesso, Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude, bandas protagonistas do Rock Brasília, na década de 1980, ao se destacar nacionalmente, após vencer o festival promovido pela em, 1975, extinta Tupi, com a canção Bandolins, de autoria dele, no qual interpretou em duo com Zé Alexandre. Logo em seguida, lançou pela gravadora Warner o LP Poeta Maldito, Moleque Vazio, o primeiro de uma série expressiva de discos que viria depois.
O cantor, compositor e violonista viria a se tornar conhecido em Brasília após participar do Concerto Cabeças, projeto idealizado pelo saudoso produtor Néio Lúcio, que, uma vez por mês, nas tardes de domingo, juntava público expressivo no gramado da 311 Sul. Desse evento, ele participou algumas vezes. Depois deixou a cidade e transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde se radicou, e que se tornou ponto de partida das muitas turnês que vem realizando ao longo dos anos, tendo sempre Brasília no roteiro. Neste sábado (30/5), às 21h30, ele está de volta para mais uma apresentação no auditório master do Centro de Convenções Ulysses Guimarães.
Chamado de Menestrel, Montenegro traz desta vez A Dança dos Signos, o seu show mais icônico, recordista de público, com o qual ele celebra 70 anos de existência, tendo em sua companhia a flautista e pianista Madalena Sales, fiel escudeira, com quem divide os arranjos; a violoncelista Janaína Salles, e o multi-instrumentista Alexandre Meu Rei. As canções a serem interpretadas contracenam com inúmeras intercessões visuais, que são mostradas num imenso painel de led, retratando tipos humanos e elementos da astrologia, que propondo de forma poética, a pacífica convivência das diferenças, em que tipos humanos e signo se misturam no democrático painel de led.
Ao interpretar sucessos como A lista, Incompatibilidade de gênios, Intuição, Mistérios e, claro, Bandlolins e o poema Metade, o cantor faz citações instrumentais de alguns deles, como Your Song, de do libriano John Lennon; e trechos de músicas dos geminianos Chico Buarque, Bob Dylan e Paul McCartney. Durante o show ele também bate papo com o público, falando sobre figuras icônicas de cada signo. Por meio da astrologia, tipos humanos são retratados, levando o espectador a identificar com o que está sendo contado. E, nesta entrevista, Madalena Salles, flautista e amiga de Oswaldo Montenegro, fala sobre o show, a trajetória e a parceria com o compositor.
Entrevista//Madalena Salles, flautista que acompanha Oswaldo Montenegro
Madalena, como tem sido estar, musicalmente, ao lado de Oswaldo Montenegro desde a década de 1990?
Enriquecedor. Eu fui criada no meio da música erudita, que adoro e que me deu toda minha base. Mas ali eu sempre tive a sensação de que algo me faltava. Quando conheci Oswaldo, ampliei meu horizonte não só pela execução da música popular, mas também pela proximidade com o teatro e a dança. Aí, me senti realmente completa. Isso tudo, acredito, me enriqueceu musicalmente.
No desenvolvimento de projetos, ele define todos os aspectos ou costuma pedir sugestões a você?
Oswaldo define todos os aspectos de seus projetos, sem dúvida. Quando começa um deles, já tem toda a forma estruturada em sua cabeça (e no papel, porque sempre escreve). Mas também, no decorrer das montagens, pede sugestões e ouve todos com quem trabalha. Porém, a decisão final é sempre dele.
Ele define o repertório e os arranjos, ou você contribui nestas partes?
É ele quem sempre define repertório e arranjos. Mas, apesar de sempre ter escrito, ele mesmo, para orquestra e coro, atualmente, por falta de tempo, tem terceirizado algumas áreas. Por exemplo, tem contratado arranjadores para orquestra, mas sempre definindo qual espírito ele quer em cada arranjo. Contrata diretores de arte, figurinistas. Também, sempre definindo como quer cada coisa.
Tem em mente quantos shows já fizeram juntos?
Nossa (risos). É muito difícil calcular isso. Desde que conheci Oswaldo, isso foi em 1975, nunca paramos de nos apresentar em shows ou espetáculos. Com certeza, e diria por baixo, fizemos juntos bem mais de 2 mil, talvez três mil shows, sem contar as temporadas de espetáculos em que ficamos de 3a ou 4a feira a domingo por meses, em cartaz.
Entre as tantas canções compostas por ele, quais são as da sua preferência?
Sou muito suspeita, mas uma das que mais gosto é Por Brilho. Mas me emociono muito com A Lista. Me comovo muito com A Lógica da Criação. Me encanta, em particular, Luzes Acesas, que ele compôs em parceria com Fagner. São muitas. Oswaldo tem letras que emocionam demais. Falar de apenas uma única preferida me é impossível.
Para você, pessoal e artisticamente, o que representa voltar a fazer show em Brasília?
Brasília é berço. É onde tudo começou, em minha vida profissional. É onde encontrei a flauta, estudando com o maravilhoso Nivaldo de Souza. É onde aprendi a tocar em orquestra, sob a batuta de outro maravilhoso, o maestro Levino de Alcântara. Pessoalmente, tenho amigos de infância, de escola, que sempre procuro encontrar quando chego na cidade. E tenho alguns familiares com quem tenho prazer de me encontrar. Estar em Brasília não é qualquer coisa, para mim.
Que local, ou locais, da cidade tem a sua preferência?
Meus locais preferidos, em Brasília ou qualquer lugar do mundo, é onde estão meus afetos. Quando chego numa cidade, ligo para amigos e onde irei encontrá-los é meu lugar preferido.
Quando vem aqui, costuma encontrar com os amigos brasilienses?
Sempre faço força para isso. Dessa vez, estou feliz, porque consegui chegar mais cedo, para encontrar alguns.
Serviço:
A Dança dos Signos
Show de Oswaldo Montenegro e banda, neste sábado (30/5), às 21h, no auditório master do Centro de Convenções Ulysses Guimarães (Eixo Monumental). Ingressos à venda no local.

Diversão e Arte
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