Na última sexta-feira (15/5), foi ao ar o último capítulo da novela Três Graças. O desfecho foi exibido ao vivo em São Paulo, antes do show da turnê homônima protagonizada por Belo e Xamã — uma apresentação que mistura o romantismo do samba com a batida do rap. O espetáculo, dirigido por Luiz Henrique Rios, foi criado não apenas para ser um evento musical, mas uma extensão da narrativa que cativou o público nos últimos meses. Mas nem tudo saiu como o planejado.
- Após Rio, Belo e Xamã levam turnê Três Graças a São Paulo nesta sexta (15)
- Análise: ‘Três Graças’ é um manifesto em defesa da novela clássica
- Análise: Mais que a originalidade, ‘Três Graças’ vence coroando a autenticidade
Assim como ocorreu no Rio de Janeiro, na estreia da Turnê Três Graças em 7 de maio, Belo (Misael) e Xamã (Bagdá) comandaram um repertório que alternou hits consolidados de suas carreiras com canções que se tornaram hinos na trilha afetiva da trama. Em São Paulo, a noite atingiu seu ápice com a participação especial de Negra Li, que interpretou o tema de abertura da produção, Clareou.
A integração entre música e ficção ficou evidente com a subida ao palco de estrelas do folhetim. Sophie Charlotte (Gerluce) e Gabriela Medvedovsky (Juquinha) encantaram a plateia ao soltarem a voz — enquanto a primeira cantou o clássico Proposta, de Roberto Carlos, a segunda emocionou ao som de Relicário, tema de sua personagem.
Já Alana Cabral (Joélly) surpreendeu em hits como Veludo Marrom e Bem que se quis. No auge do show, Grazi Massafera, intérprete da vilã Arminda, também subiu ao palco para uma performance ao lado de artistas que faziam referência à estátua das Três Graças, sob os olhares atentos dos autores Aguinaldo Silva, Virgílio Silva e Zé Dassilva.
A escultura que dá nome à novela, aliás, estava na área do evento, disponível para fotografias. Mas os fãs da novela esperavam mais.
Elenco presente, mas blindado
Boa parte do elenco marcou presença, conferindo de perto a exibição do capítulo derradeiro e o show. Entre os presentes, estavam Fernanda Vasconcellos (Samira), Augusto Madeira (Rivaldo), Daphne Bozaski (Lucélia), Leandro Lima (Herculano), Lucas Righi (Alemão), Adriano Toloza (Angélico), Glaura Lacerda (Gisleyne) e Dudu de Oliveira (Peixoto). Entretanto, ao contrário do que ocorreu na apresentação em solo carioca, os artistas aclamados pelo público não interagiram com a imprensa e nem com os ávidos fãs ao final do evento.
Essa blindagem por parte da produção causou desconforto, especialmente nas fãs de "Loquinha", o casal lésbico formado por Juquinha e Lorena (Alanis Guillen). Muitas, inclusive, vieram em caravanas de outras cidades para ver de perto suas musas, e reclamaram da truculência da equipe de segurança — formada quase que totalmente por mulheres, dando a impressão de que o esquema tenha sido armado especificamente para conter esse recorte do público.
As amigas Clara Dias e Luciana Pompeo, ambas de 23 anos, vieram de Jundiaí (SP) especialmente para o evento e não esconderam a extrema frustração com o tratamento recebido. "A sensação que tivemos foi a de que se armaram contra a gente, como se fossemos atacar alguém", lamentou Clara, que é estudante de nutrição. Para Luciana, a proteção foi exagerada e injusta: "Nós fizemos o casal potencializar nas redes sociais e isso contribuiu muito para o sucesso da novela".
O sentimento foi partilhado pelo casal Isabelle Junqueira, 25, e Ana Luiza Chaves, 20. Vindas de Belo Horizonte (MG), as duas demonstraram profundo desapontamento por não terem tido a chance de registrar uma foto com a atriz Gabriela Medvedovsky, intérprete da personagem que foi o grande combustível para que o casal conquistasse a tão sonhada aceitação familiar na vida real.
"Meus pais se renderam ao nosso afeto depois que acompanharam as cenas dos pais da Juquinha", relatou Ana Luiza. "A gente só queria ter tido a oportunidade contar essa história para a Gabi e dar um abraço nela", desabafou Isabelle, lembrando que grande parte do sucesso da novela se deveu ao casal Loquinha — que rendeu, inclusive, uma novelinha vertical com histórias inéditas.
A sensação que fica é que, com essa postura defensiva, perdeu-se a essência de um show que nasceu justamente para aproximar o público do elenco da novela que conquistou o país. Resta esperar que a produção reveja a estratégia e adote um tom mais acolhedor, caso deseje seguir adiante com a turnê pelas demais capitais.
Audiência recorde
O emocionante último capítulo de Três Graças alcançou recorde de audiência em São Paulo e elevou a média da TV Globo no horário. De acordo com nota divulgada pela emissora, a novela de Aguinaldo Silva, Virgílio Silva e Zé Dassilva registrou sua maior audiência na praça paulista, com 28 pontos de audiência e 46% de participação, um crescimento de 22% (+5 pontos) de audiência na média da faixa horária em comparação com as quatro sextas-feiras anteriores. No Rio de Janeiro, a novela alcançou 30 pontos de audiência e 48% de participação, um crescimento de +20% (+5 pontos) na média da faixa na mesma comparação.
Na sequência do capítulo, foi exibida a Turnê Três Graças, com show comandado por Belo e Xamã e diversas participações especiais na estreia no Rio de Janeiro, em 7 de maio. Em São Paulo, a exibição do musical marcou 18 pontos de audiência e 37% de participação, um crescimento de +29% (+4 pontos) na média do horário em relação às quatro sextas-feiras anteriores.
No comparativo com especiais do gênero musical exibidos na TV Globo, registrou a maior audiência desde 05 de junho de 2024, com o Som Brasil: Raça Negra. No Rio de Janeiro, a Turnê Três Graças marcou 21 pontos de audiência e 39% de participação. Foram +40% (+6 pontos) na comparação com as quatro sextas anteriores. No comparativo com especiais do gênero musical exibidos na TV Globo, foi a maior audiência desde 03 de maio de 2025, com o Todo Mundo no Rio – Lady Gaga.
