
Quando o assunto são músicas de amor, é impossível não pensar no cantor e compositor Chris MC. Um dos nomes mais versáteis da música urbana brasileira, o aguardado novo álbum, O Último Romântico, está disponível nas plataformas digitais desde a semana passada. Dessa vez, o artista mineiro mergulha profundamente em canções mais sensíveis, misturando temáticas como paixão e saudade.
Em uma linguagem mais voltada para o R&B, Chris traz ao disco participações de peso, como a do rapper Xamã e da artista Cynthia Luz. E mesmo já estando consolidado, ele não esconde a ansiedade de jogar mais uma obra ao mundo. No entanto, gosta de olhar para a conexão real com os ouvintes nesses momentos de grandes expectativas.
"Tem frio na barriga porque esse projeto concretiza o que eu pensei sobre mim quando eu comecei a fazer essa parada do R&B. É conseguir ser claro o suficiente para que todo mundo entendesse e se sentisse parte disso", confessa Chris. "Eu acredito que quem escuta em algum momento vai se sentir parte da minha história”, completa.
Navegar por diferentes ritmos não é um problema para o cantor, que recusa rótulos limitadores dentro da indústria musical. Do rap ao R&B, não importa. O fundamental, na verdade, é justamente não tentar caber. Ao lado de nomes como Lucas Carlos e Delacruz, Chris MC forma o que muitos consideram a "tríade do R&B nacional". Tendo participado recentemente das turnês dos dois colegas, o mineiro brinca ao ser questionado sobre quem seria o mais diferente do trio na hora de cantar sobre o amor.
"Pior que eu sou muito fã dos dois, viu? Mas vou falar que nem o Romário: eu", brinca, aos risos. "Na questão da versatilidade, acredito que eu e o Lucas temos um pouco mais. O timbre do Delacruz é maravilhoso. São pessoas que, graças a Deus, sou amigo e muito fã’, ressalta Chris.
Livre para criar
Essa liberdade para falar de amor tem raízes profundas na infância. Segundo ele, a grande ‘culpada’ por esse lado sentimental é a mãe, que sempre consumiu muita literatura, filmes e séries românticas dentro de casa. Além disso, o músico pegou a cena de surpresa ao revelar que, no fundo, seu coração bate no ritmo dos cavacos e pandeiros. "Sou mais pagodeiro do que rapper. Escuto mais pagode porque sou de família de músicos. Meu tio mais próximo de mim é pagodeiro pra caramba. A gente escutava junto, sempre”, destaca.
Tanto é que o artista já vislumbra para os próximos passos da carreira algo pensado para pagode, projeto que é constantemente cobrado pelos fãs. "Para a minha carreira, quero focar mais na questão que a galera gosta mais, que é o pagode e o R&B. Não descarto um álbum voltado para esse ritmo que a galera tanto pede. Já tem algumas músicas prontas, tem participações especiais com pessoas que gosto e sou fã”, acrescenta Chris.
Produzir o novo disco exigiu do artista uma outra postura vocal e lírica, equilibrando a essência periférica com formatos que, apesar de já terem sido trabalhados anteriormente, devem ficar mais frequentes a partir de agora. "Foi um desafio diferente, porque é um pouco pop também, né? Usar uma linguagem menos rua. Mas a linguagem da rua está presente também", explica.
O resgate de um clássico
Um dos grandes destaques do disco O Último Romântico é a releitura de Se Você Quiser, considerada a música mais icônica de sua trajetória. Chris explica que a mudança em seu tom de voz — hoje mais grave — e a cobrança antiga dos fãs o forçaram a encarar a responsabilidade. "Como é que eu vou falar sobre Chris MC sem incluir essa canção? Se eu não fizesse agora, não faria nunca mais. Foi a maior responsa, mas o resultado ficou ótimo."
Olhando para o futuro, o cantor confirma que o projeto não vai ficar restrito às plataformas digitais. O plano agora é colocar o trabalho na rua, já pensando em uma turnê nacional. "A gente pretende rodar o Brasil, sim. Estamos olhando pra fazer alguns shows de lançamento, fazer muitos ensaios também. Vamos fazer a tour do Último Romântico e, se Deus quiser, vai ser um sucesso”, acredita o artista mineiro. Com as expectativas altas, Chris MC finaliza deixando claro que o sucesso do álbum não será medido por números.
Além disso, se vê feliz por ser um dos pioneiros desse momento vivido pelo rap em solo brasileiro."Essa questão de algoritmo é uma preocupação que não tenho mais. Prefiro que 100 mil pessoas me escutem e consumam de verdade do que 1 milhão de que não sabem nem o meu rosto quando vou fazer um show. É um momento de grandeza, de consolidação de muitos nomes, de turnês, de carreiras e legados. Fico muito feliz de saber que eu faço parte disso e que tá cada dia mais bonito o que a gente tem construído”, finaliza.

Diversão e Arte
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