Tim Bernardes não se considera um cantor romântico, mas reconhece que sua voz é marcante na vida de inúmeros casais. Um dos maiores sucessos da carreira, BB (Garupa de moto amarela), por exemplo, tornou-se trilha sonora de primeiro beijo, pedido de namoro e até de cerimônias de casamento. Neste Dia dos Namorados, a faixa, desta vez, será música de fundo dos brasilienses apaixonados, com a apresentação do paulistano no Ulysses Centro de Convenções. O artista sobe aos palcos às 21h e se despede da turnê Mil coisas invisíveis na noite mais afetuosa do ano.
Se for para ser considerado romântico, Tim se vê mais como alguém que romantiza a vida no geral. "De fato, minha música tem um quê mais esperançoso", aponta o cantor. "Minhas composições são reflexo de investigações pessoais, do que eu estou sentindo e vivendo. Elas podem acabar refletindo coisas românticas, sim, mas também há questões filosóficas e espirituais. Porém, eu entendo que grande parte da minha discografia é composta por canções de amor, e eu gosto muito desse estilo", admite Tim, que revela nunca ter se apresentado no Dia dos Namorados.
Trilha de diversos casais, a própria BB (Garupa de moto amarela) foi escrita para a namorada do cantor, como um presente de Natal. "Por ser uma canção que consegue falar de uma maneira simples sobre um amor correspondido, acabou se tornando algo bem universal", avalia Tim. A faixa é um dos singles do disco Mil coisas invisíveis, responsável pela projeção nacional e internacional do artista que, até então, era considerado alternativo.
Desde o lançamento do projeto, em meados de 2022, o paulistano regravou Baby, sucesso de Gal Costa, com a própria cantora baiana, além de ter participado do último show da intérprete, e fez parcerias com Erasmo Carlos e Jards Macalé. Maria Bethânia, por sua vez, gravou Prudência, composição de Tim. Na estrada, foram mais de 30 datas na Europa, Estados Unidos e Japão — Mil coisas invisíveis foi o primeiro projeto do músico oficialmente lançado fora do país.
A experiência, portanto, fez com que o compositor perdesse o temor do mundo, segundo ele mesmo. "Acho que o mais marcante disso tudo foi conseguir viver essas aventuras sem me sentir paralisado", destaca o cantor. "Dá um frio na barriga sair da zona de conforto, é claro. Mas, de repente, eu estava no Japão, sem medo nenhum", lembra.
Quatro anos após o lançamento do projeto, Tim encara com entusiasmo o encerramento de um dos ciclos mais longos e importantes da carreira. "Essas músicas viraram trilha sonora de vidas, namoros e mudanças", afirma o paulistano. "É um show eu gostei muito de fazer. E agora a gente faz essa última leva, em lugares maiores, podendo ver o crescimento do público em comparação ao começo", acrescenta o cantor. "Então, trabalhar esse disco com calma foi muito bom no fim das contas. Porque deu tempo até de compor as músicas que eu quero gravar agora", adianta o artista.
Próximo capítulo
Animado para os projetos que estão por vir, Tim Bernardes descreve o álbum Mil coisas invisíveis como "uma faculdade". "Eu aprendo muita coisa gravando novos arranjos e coisas que eu não havia tentado antes", conta o artista. "Tudo isso se acumula para os discos seguintes. Com as composições, isso também acontece, mas de uma forma diferente — me sinto um compositor mais experiente, porém, ao mesmo tempo, quando você escreve uma música, é a primeira vez que você a está escrevendo. Não tem um método específico que você já está mais habituado", explica.
Com seis álbuns na bagagem — dois como solista e quatro à frente da banda O Terno, em hiato desde o fim de 2024 —, Tim quer poder experimentar. "Eu tenho vontade de fazer o que eu não fiz ainda, ao mesmo tempo que me sinto agradecido de ter completado e lançado esses discos até agora", declara o paulistano. "Não sinto que eu tenho que provar nada. Quanto mais abundantemente eu conseguir fazer música e colocar no mundo, ótimo, mas eu já me sinto muito agradecido pelo fato de ser músico, viver de música e poder lançar discos", complementa o cantor.
Serviço
Despedida da turnê Mil coisas invisíveis. Sexta-feira, às 21h, no Ulysses Centro de Convenções. Ingressos podem ser adquiridos por meio da plataforma on-line Sympla, a partir de R$ 125. Classificação indicativa: 18 anos.
