
O CineBeijoca, cineclube da Universidade de Brasília (UnB), realiza mais uma sessão no Cine Brasília, amanhã, às 19h. Dessa vez, o filme escolhido é Os olhos sem rosto, terror francês do diretor Georges Franju. Na trama do longa de 1960, o cirurgião Génessier causou uma acidente de carro que deformou o rosto de sua filha Christiane. Ele começa então a trabalhar para lhe dar um novo rosto, com enxertos retirados de mulheres sequestradas.
Após a sessão, haverá debate com a cineclubista Letícia Negreiros e João Vitor Leal, professor e pesquisador no Instituto Federal de Brasília (IFB). A mediação será realizada pelo cineclubista Davi Pieri. A cópia do filme foi disponibilizada pela parceria do cine clube com a Cinemateca da Embaixada Francesa e o Institut Français.
Pablo Gonçalo, professor da UnB e um dos idealizadores do CineBeijoca, comenta que o filme foi escolhido de forma coletiva por meio do catálogo do Institut Français. "A equipe do Beijoca escolheu um filme clássico, com pitadas de terror e de linguagem cinematográfica bem aguda. O tema do transplante de rosto, central no filme do Franju, perpassa outros filmes e nesse é explorado de uma forma envolvente que, certamente, cativará o público do Cine Brasília. Também escolhemos filmes clássicos mas fora de um panorama muito evidente da cinefilia da cidade. É o nosso gesto de tentar contribuir com a cena cultural", ressalta.
Em relação ao debate, o professor acredita que a atuação, personalidade e tradições do cinema policial francês vinculado ao terror serão alguns dos temas abordados. "No cinema contemporâneo, inclusive o brasileiro, há toda uma imersão com o cinema de terror que se vincula, direta ou indiretamente, às experiências do filme de Franju", destaca.
O Cine Brasília tem sofrido com a falta de verba, com possibilidade de fechar as portas devido ao contingenciamento feito pelo Governo do Distrito Federal (GDF). Para Pablo, o que tem acontecido é lastimável. "Não é a cultura — nem outro serviço básico — que precisa pagar por descasos e práticas escabrosas de corrupção. O trabalho da Box Cultural é consistente, sério, seu contrato está firmado e dentro dos parâmetros legais. É o governo que foge da sua responsabilidade de lidar. É algo sério, grave", comenta.
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A capital tem tido diversas perdas em relação à cultura e é importante sustentar o Cine Brasília. "Esse trabalho precisa de continuidade e de todo apoio da comunidade. Já temos mais de uma década de Teatro Nacional fechado. Faz pouco, fecharam a Água Mineral e o Cine Brasília vira e mexe fecha e reabre. Isso impacta diretamente o Beijoca, o cineclube e a cinefilia da cidade. Mas como cineclubistas estamos juntos, na mesma lida e na mesma luta", finaliza Pablo.

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