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Yohama Eshima vive um ano de realizações na televisão e no cinema

Atriz curitibana de ascendência nipônica é a dona de floricultura Elza em "Quem ama cuida". Ela ainda aguarda estreia do celebrado "Se eu fosse você 3", onde repete parceria com Tony Ramos, e "Assalto à brasileira", novo longa de José Eduardo Belmonte

 Yohama Eshima, atriz -  (crédito: Catarina Ribeiro)
Yohama Eshima, atriz - (crédito: Catarina Ribeiro)

A atriz Yohama Eshima atravessa 2026 emplacando uma sequência de trabalhos que atravessam televisão, cinema e streaming com uma naturalidade que esconde anos de construção silenciosa. Na TV Globo, integra o elenco da novela das nove Quem ama cuida, vivendo Elza, uma dona de floricultura que se apaixona por Otoniel, personagem de Tony Ramos, em uma trama que desafia convenções etárias e estereótipos sobre afetividade e desejo em mulheres maduras. Nos cinemas, o ano reserva duas estreias: a aguardada continuação Se eu fosse você 3 — em que repete a parceria com o ator veterano — e o longa Assalto à brasileira, de José Eduardo Belmonte. E, como se não bastasse, 2027 está desenhado com Estranha na cama, novo thriller brasileiro da Netflix, e Oratório, produção histórica que marca o primeiro terror nipo-brasileiro do cinema nacional.

Para qualquer observador externo, pode parecer uma explosão súbita de oportunidades, mas Yohama faz questão de lembrar que o turbilhão criativo que experimenta é fruto de uma trajetória construída com persistência e paciência ao longo de muitos anos. "Tenho vivido esse momento com muita gratidão, mas também com bastante consciência de que ele é resultado de muitos anos de trabalho. Às vezes, as pessoas enxergam tudo acontecendo ao mesmo tempo, mas existe uma trajetória inteira por trás disso", reflete a curitibana radicada no Rio de Janeiro, com a tranquilidade de quem aprendeu a confiar no próprio tempo.

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O que mais a encanta nessa fase é justamente a possibilidade de transitar entre linguagens tão distintas, algo que considera um dos maiores presentes da profissão. "A novela me ensina muito sobre escuta, ritmo e presença diária. O cinema me permite um mergulho mais longo na construção, como aconteceu em Oratório, que foi uma experiência profunda e desafiadora. A comédia de Se eu fosse você 3 me trouxe de volta à brincadeira, à troca e a uma leveza de que eu estava com saudades", conta a canceriana de 37 anos, explicando que o segredo para não se perder nesse emaranhado de gêneros e formatos tem sido viver um trabalho de cada vez, estudando e observando muito para aproveitar o processo sem perder o encantamento.

Autêntica representatividade

Na novela, a personagem Elza tem conquistado o público justamente pela autenticidade. "O que mais gosto na Elza é que ela ama sem deixar de ser ela mesma. Ela é uma mulher firme, trabalhadora, bem-humorada e que não tem vergonha dos próprios sentimentos. Acho bonito mostrar uma mulher que deseja, que sonha e que também sabe o próprio valor", descreve Yohama, que enxerga nesse papel uma camada de representatividade que a atravessa profundamente como atriz.

Durante muito tempo, mulheres amarelas foram retratadas no audiovisual brasileiro de forma limitada, quase sempre presas a estereótipos que reduziam a complexidade. Yohama, no entanto, recusa-se a ser definida pela origem étnica. "Eu sou uma atriz brasileira, nascida em Curitiba, e quero poder contar histórias universais. Histórias de amor, de humor, de dor, de coragem, como qualquer outra atriz. Quando uma personagem como a Elza ocupa esse espaço numa novela das nove, ela ajuda a ampliar o imaginário sobre quem nós podemos ser. A representatividade também acontece quando o nosso pertencimento à história não precisa ser explicado o tempo todo", afirma a artista, que se destacou como a investigadora Yone na novela Travessia, de 2022, e também marcou presença em Amor sem igual, na Record TV, e em Pedaço de mim, da Netflix.

 

 Yohama Eshima, atriz
Yohama Eshima, atriz (foto: Catarina Ribeiro)

Protagonismo na maternidade

Fora das telas, Yohama carrega outro protagonismo que poucos conhecem em sua totalidade, mas que tem moldado sua visão de mundo e sua atuação social de maneira indelével. Mãe de Tom, diagnosticado ainda pequeno com esclerose tuberosa, uma condição genética rara que desencadeia crises epilépticas graves, ela transformou a experiência pessoal em uma plataforma de conscientização que vai muito além das redes sociais, envolvendo rodas de conversa, podcasts e ações de suporte a outras famílias que vivem realidades semelhantes.

Esse equilíbrio entre exposição artística e preservação da intimidade do filho, admite, é um exercício diário. "Eu nunca quis que o Tom fosse definido por um diagnóstico, nem que a nossa família fosse resumida à dor. O que me move é criar pontes. Pontes de esperança, afeto e informação", explica, revelando que a decisão de compartilhar publicamente essa vivência nasceu de uma necessidade pessoal de conexão.

Tom nasceu durante a pandemia, e Yohama viveu dias de solidão que a levaram a buscar outras mães que enfrentavam desafios parecidos. "Quando decidimos conversar sobre isso publicamente, percebi que existiam muitas mães esperando justamente esse espaço de troca", recorda.

Hoje, ela faz questão de estabelecer limites claros sobre o que pertence ao íntimo da família e o que pode ser compartilhado para transformar a vida de outras pessoas. "A exposição nunca pode ser maior do que o respeito pela infância dele. Mas esse compartilhamento afetivo da maternidade atípica também inspira outras famílias a enxergarem que, mesmo diante de um diagnóstico, também existe espaço para afeto, encontros e esperança", pondera, ressaltando que a visibilidade conquistada traz consigo uma responsabilidade que ela não negligencia.

"Ainda faltam políticas públicas, acesso a medicamentos, terapias e inclusão de verdade. Enquanto eu puder usar a minha voz para ajudar a construir um país mais acolhedor para essas famílias, sinto que esse também é um papel importante da minha caminhada", completa Yohama.

Ancestralidade e experimentação

Esse olhar atento e engajado também se reflete em sua escolha de projetos, como Oratório, o primeiro terror nipo-brasileiro do cinema nacional, que a atriz está prestes a estrear e que representa um marco não apenas em sua carreira, mas na história do audiovisual brasileiro.

O filme, diz ela, uniu duas frentes fundamentais de sua trajetória: a ancestralidade e a experimentação em um gênero historicamente pouco representativo para atores orientais no Brasil. "O terror exige um lugar de entrega muito diferente. A gente trabalha o tempo inteiro com aquilo que não está necessariamente visível, mas precisa existir para o público acreditar. Foi um processo muito intenso e muito prazeroso como atriz. Acabei acessando, de forma profunda, alguns medos conscientes e inconscientes para construir determinadas cenas. Posso dizer que foi o trabalho de preparação de personagem que mais me conectou com a minha ancestralidade japonesa", revela, com um brilho nos olhos que denota o quanto a experiência a marcou.

Para Yohama, o simbolismo do projeto é imenso, especialmente num contexto em que, durante décadas, atores amarelos foram convidados a interpretar personagens cuja principal característica era justamente sua origem. "Em Oratório, minha ancestralidade faz parte do universo da história, mas ela não limita a personagem. Ela é uma mulher complexa, cheia de conflitos, medos e contradições. Acho importante ocupar esse espaço porque, quanto mais diversidade existir dentro dos gêneros, seja terror, romance, suspense ou comédia, mais o público vai naturalizar que artistas amarelos brasileiros podem protagonizar qualquer narrativa", argumenta, orgulhosa de fazer parte de uma produção realizada por uma equipe majoritariamente formada por profissionais de ascendência japonesa. "Isso também é representatividade", resume.

Diante de uma carreira tão plural e de um ativismo tão consistente, não é surpresa que Yohama já seja vista por muitas jovens atrizes como uma referência de persistência e pluralidade. Quando provocada a refletir sobre o que diria à Yohama que começou a carreira em Curitiba, antes de todo o reconhecimento que colhe agora, a atriz responde com uma honestidade que desarma.

"Eu diria para ela confiar mais. Confiar no próprio tempo, continuar estudando e não deixar que o olhar limitado dos outros definisse o tamanho dos seus sonhos", aconselha, lembrando que ao longo de sua jornada ouviu, de maneiras diferentes, que talvez não existisse espaço para uma atriz amarela contar determinadas histórias. "A vida foi mostrando justamente o contrário", afirma, com a certeza de quem aprendeu na prática que o tempo é um aliado, não um adversário.

A maternidade também lhe ensinou algo que carrega para todas as áreas da vida. "Pedir ajuda não é sinal de fraqueza. A gente não constrói nada sozinho. O amor, a arte, a família e até a luta por direitos acontecem no encontro com outras pessoas", reflete. E conclui com um conselho que parece resumir toda a sua trajetória, dos primeiros passos em Curitiba aos holofotes de hoje: "Continua, cuida da mente, da tua energia. Mesmo quando parecer difícil. Continua cultivando curiosidade, gentileza e coragem. Porque, muitas vezes, os sonhos começam muito antes de a gente perceber que eles já estão encontrando o caminho até nós". 

 

 

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postado em 08/07/2026 20:05 / atualizado em 08/07/2026 23:25
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