
Palhaços, equilibristas e mágicos são as estrelas do Festclown, encontro de arte circense que começa neste domingo . Com 50 atrações, o festival gratuito se espalha por seis unidades do Sesc no Distrito Federal até 2 de agosto. A abertura, às 17h, terá cortejo do Nicolândia ao estacionamento 11 do Parque da Cidade. Artistas internacionais da Bélgica, da Argentina e de diferentes estados brasileiros compõem a programação.
Da cidade de Passo Fundo, interior do Rio Grande do Sul, as palhaças Beberta e Tagarela trazem o espetáculo Pó de estrela, que, a partir de uma aventura para chegar no espaço, discute a importância das mulheres na história. "Incentivamos as meninas a serem protagonistas", comenta Dani Dal Forno, que dá vida à Beberta.
Para ela, a presença feminina na palhaçaria tem crescido nas últimas décadas, mas as mulheres ainda enfrentam barreiras históricas, culturais e profissionais. "É resistência ser mulher e artista em nosso país. Nós propomos novas formas de fazer rir, um riso que desafia estereótipos e afirma que o humor também pode ser lugar de transformação. "
Outra personagem feminina de destaque aparece em Babauzinha, solo realizado pela atriz Ana Gomide, de 13 anos. A peça é estruturada em três atos, cada um escrito por uma geração de brincantes da família. A menina que cresceu inserida no teatro de bonecos diz ter decidido com naturalidade se tornar brincante, como o avô e os pais. "O espetáculo sempre esteve presente na minha vida", comenta. O baú de memórias que se abre, complementa a produtora Maria Gomide, representa o próprio núcleo familiar.
"Quem nasceu primeiro, o espetáculo ou a família? O espetáculo faz parte da nossa história desde o começo. É a nossa tradição", diz Maria, diretora artística da Carroça de Mamulengos, de Juazeiro do Norte, Ceará. O grupo participou de outras edições do Festclown, que chega ao vigésimo quarto ano.
A diversidade de linguagens da arte circense e o reconhecimento da trajetória no setor foram critérios utilizados para escolher as atrações, segundo o diretor regional do Sesc-DF, Valcides de Araújo. Ele conta que a programação reúne espetáculos consolidados, ações formativas e experiências inovadoras que dialogam com diferentes faixas etárias e perfis de público.
Entre os representantes internacionais estão Pauline Zoe, da Bélgica, com o espetáculo Esfera, uma mistura de dança, bambolê e acrobacia. As palhaças argentinas Cami Basterra e Mahu Fanchulini transformam situações cotidianas em motivo de risada. O mágico e ilusionista, também argentino, Gustavo Raley se apresenta na próxima quinta-feira às 20h, no Sesc Cultural (511 Norte).
"A participação internacional fortalece o FestClown como um espaço de intercâmbio cultural e atualização. Ao reunir artistas de diferentes países, o festival amplia o contato do público brasileiro com distintas escolas, técnicas e abordagens da palhaçaria e das artes circenses", afirma Valcides.
Participante desde a primeira edição, o brasiliense Zé Regino reconhece a importância do festival em se conectar à comunidade, mas, em razão da descentralização, entende que o intercâmbio entre artistas é mais difícil hoje. "A gente encontrava mais os artistas, a gente trocava mais." Para este ano, ele preparou uma apresentação de palhaçaria para bebês.
As unidades envolvidas do Sesc mobilizadas no evento são as da 504 Sul, Setor Comercial Sul, Taguatinga Norte, Ceilândia Gama 511 Norte. Uma praça em Planaltina e hospitais e semáforos também recebem atrações. A expectativa é receber aproximadamente 8 mil pessoas ao longo dos sete dias de programação.
Os Irmãos Saúde, personagens conhecidos da palhaçaria brasiliense, ocuparam diferentes funções ao longo das mais de duas décadas de festival. Na primeira, em 2002, foram espectadores. Na edição seguinte, vestidos de palhaço, ajudaram a divulgar. Depois que se tornaram atrações, participaram de quase todas e, agora, apresentam o espetáculo de encerramento.
Ankomárcio, o porta-voz oficial da dupla, diz que o festival é um dos mais importantes da América Latina, por construir uma conexão entre cidades e países a partir da arte da palhaçaria. "Ele também promove a reflexão e a discussão sobre a arte do riso, sobre do que as pessoas riam, sobre do que as pessoas estão rindo hoje, sobre do que elas vão rir no futuro", aponta. "Quando você reflete sobre do que você ri, você também está refletindo um pouco sobre quem você é, sobre que comportamento a sociedade está construindo a partir dos seus olhares sobre o riso", completa o palhaço.
Estagiário sob a supervisão de Nahima Maciel

Diversão e Arte
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