
Quando eram adolescentes, João e Pedro Ferreira manifestaram interesse em enveredar pela carreira musical, algo que o pai, Clodo, a princípio, reprovou. "É uma profissão solitária e difícil", disse. Teimosos, os meninos montaram bandas, participaram de festivais e pegaram gosto pela coisa. "Depois, ele viu que não tinha jeito e começou a nos chamar para shows", relembra Pedro. Os irmãos celebram o legado de Clodo Ferreira no Clube do Choro nesta sexta-feira (31/7), data em que o compositor piauiense completaria 75 anos, às 20h30.
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O show Clodo Ferreira — existência é um apanhado da trajetória do músico que, ao lado dos irmãos Climério e Clésio, impregnou a música popular brasileira de poesia e de riqueza melódica. Além de pinçar canções dos seis discos que o trio lançou, o espetáculo coloca em evidência parcerias com nomes como Dominguinhos e Fagner. Querubim, Carece de explicação, Revelação, Conterrâneos e Balé compõem o repertório. Outro destaque da apresentação é Garantia, um dos raros sambas compostos por Clodo, nunca antes cantado ao vivo.
O espetáculo se divide em três partes. A primeira contempla as baladas, com canções mais lentas e reflexivas; a segunda, os forrós; e, por último, canções em voz e violão, formato em que Pedro e João fizeram as primeiras homenagens ao pai. A novidade, agora, é a presença do baixo de Vavá Afiouni e da bateria de Sidney Campos. João comenta que a ideia é aos poucos integrar mais instrumentos para aumentar o show e expandir, cada vez mais, o legado de Clodo.
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"A gente, ao longo da vida, teve esses momentos no palco com ele muitas vezes. O show vai ser no dia do aniversário dele, um dia emotivo por si só. A minha ideia quando eu falei com o Pedro para a gente marcar esse show foi que pensei que isso poderia ser uma forma da gente reunir as pessoas. Ele deixou muitos amigos", aponta João.
A primeira vez que os dois se apresentaram juntos em homenagem ao pai foi na cerimônia do segundo Prêmio Candango de Literatura, em 2025, na sala Martins Pena. No mesmo palco, a dupla também se reuniu para lançar o último trabalho de Clodo, Constelação de palavras, álbum póstumo.
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O diferencial da nova proposta, diz Pedro, é dar um peso maior ao show a partir da junção de instrumentos. "Adiciona um pouquinho mais de vigor, porque os outros shows com nós dois foram muito legais, mas tinham caráter mais intimista", explica o cantor e percussionista. Na opinião dele, a homenagem abarca Clodo, Climério e Clésio. "Para falar da obra do meu pai, não tem como não falar das parceria dele, e acho que os principais parceiros dele realmente foram os irmãos durante a trajetória do trio."
A partir da herança do DNA musical, cada irmão seguiu por um caminho. João se tornou arranjador e diretor musical do Natiruts, banda de reggae brasiliense, e acumula contribuições em diversos projetos, como os álbuns Clodo Ferreira e Calendário, a partir da guitarra e violão. Pedro Ferreira, percussionista, atua em grupos como Dr. Jah e Porão do Forró, e, na Zabumba, acompanha a instrumentista Maísa Arantes.
"Ele gostava de tudo muito caprichado, porém simples. Nunca gostou de coisa muito complicada. Então, acho que carrego um pouco isso também no meu trabalho de produtor", reconhece João." Sempre procuro fazer algo que tenha muita comunicação, de como isso vai ser recebido, assim, se vai haver uma interação com aquele conteúdo artístico", completa o guitarrista.
"Eu sempre tive muito orgulho do meu pai. Então, poder relembrá-lo é motivo de orgulho para mim, eu me sinto muito satisfeito. E o Clube do Choro é uma casa que tem muito a ver com a história dele", argumenta Pedro.
O percussionista, na ausência do pai, sente que a música é uma forma de permanecer conectado a ele. "Às vezes, eu até falo assim: 'Pai, tô precisando conversar com você'. Aí, boto o disco dele para ouvir, e as coisas que ele fala vão me acalentando. É meio que a presença dele de volta."
Ao final dos shows, muitos colegas da Universidade de Brasília, onde Clodo lecionou, e de outros lugares se aproximam para contar histórias, que serão incluídas no show. "Ele deixou muitos amigos. Vai ser uma forma de a gente poder reunir essas pessoas. E nos lembrar dele, com música, que eu acho que era o jeito que ele mais gostava. Vamos celebrá-lo nesse dia, continuar celebrando por meio da obra dele, porque a pessoa vai, mas a obra fica", reflete João.
Serviço
Clodo Ferreira — existência, por João e Pedro Ferreira, nesta quinta-feira (30/7), às 20h, no Clube do Choro. Ingressos: R$ 40.
*Estagiário sob supervisão de Severino Francisco

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