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Ismael Caneppele se destaca no audiovisual em frente ampla e global

No elenco do sucesso mundial da Netflix "Man on Fire", o ator, roteirista e diretor Ismael Caneppele acumula trabalhos em grandes plataformas de streaming e prepara-se para o lançamento de "A ira do herdeiro", da Record

Ismael Caneppele, ator -  (crédito: Rodrigo Lopes)
Ismael Caneppele, ator - (crédito: Rodrigo Lopes)

Em um cenário onde o entretenimento audiovisual se torna cada vez mais globalizado, poucos artistas brasileiros conseguem transitar com tanta desenvoltura entre diferentes linguagens, mercados e formatos quanto Ismael Caneppele. Ator, escritor, roteirista e diretor, o gaúcho vive um dos momentos mais prolíficos de sua trajetória, com projetos simultâneos nas três maiores plataformas de streaming — Netflix, Paramount e Disney — enquanto avança em obras autorais na literatura e no documentário.

O estopim para essa nova onda de visibilidade veio com Man on fire, série internacional da Netflix que estreou diretamente no topo do ranking global de produções em língua inglesa. Com 11 milhões de visualizações em apenas quatro dias, a produção protagonizada por Yahya Abdul-Mateen II e Alice Braga colocou o nome de Caneppele em destaque mundial.

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Para Caneppele, a repercussão imediata da série ainda é algo difícil de processar em sua totalidade. "Man on fire, ao ser um projeto global produzido por uma mega empresa norte americana, parece mais uma confirmação de que minha carreira segue dialogando com o mundo. Alcançar o top global, com milhões e milhões de espectadores ao redor do planeta, ainda é inalcançável para a minha compreensão", avalia.

O ator destaca que a recepção do público tem sido surpreendente: "São muitas mensagens e aproximações vindas dos lugares mais inesperados. Tem sido um barato ser reconhecido por uma nova turma, que consome séries de ação. Me vejo quase como um super-herói". Apesar da trajetória internacional que já vinha construindo desde seus primeiros trabalhos — com Gerald Thomas no teatro e com o filme Os famosos e os Duendes da Morte no cinema —, Caneppele confessa que assistir à série foi um grande impacto. "Ainda não sei lidar muito bem com a ideia de me ver atuando em uma produção dessa magnitude", admite.

Gravada no México, a série colocou Caneppele em cena com alguns dos nomes mais requisitados de Hollywood. O encontro com Yahya Abdul-Mateen II, seu arquirrival na trama, foi especialmente marcante. "Eu já vinha acompanhando o trabalho do Yahya há algum tempo. Ele passou de uma grande aposta em Hollywood para uma confirmação de estrelato", conta o ator, citando os trabalhos do colega em Black mirror, Watchman (pelo qual ganhou um Emmy), Aquaman e o recente WonderMan.

Ismael Caneppele, ator
Ismael Caneppele, ator (foto: Rodrigo Lopes)

Novos projetos

Enquanto Man on fire segue em alta, Caneppele já está mergulhado em novos projetos. Um deles é Nova Éden, produção da Grapho Curitiba para a Paramount, dirigida por Aly Muritiba, com estreia prevista para novembro. A parceria com o diretor de Deserto particular era um desejo antigo.

A série se passa em uma comunidade rural de imigrantes poloneses recém-chegados ao Brasil, o que exigiu um trabalho intenso de composição. "Envolveu um trabalho de composição física, de sotaque e de hábitos, muito específica e profunda. Há cenas faladas em polonês, além de exigir práticas pecuárias bem específicas, como a ordenha de vacas leiteiras, por exemplo", detalha. "Passei meses morando em Curitiba, mergulhado de cabeça nesse universo".

Paralelamente, Caneppele grava A ira do herdeiro, série produzida pela Seriella para o Disney+, sob direção de Carlos Manga Jr. O ator interpreta o sacerdote Amarias, descrito como alguém sensível às injustiças, em meio a um contexto de corrupção e fé. "Está sendo uma grande alegria voltar a colaborar com o diretor Carlos Manga Jr, que me lançou no universo das séries para streaming, em Desalma", afirma. 

Com projetos nas três principais plataformas globais simultaneamente, Caneppele faz uma avaliação otimista do momento atual. "É muito animador ver tantas frentes de trabalho criativo sendo abertos em diferentes plataformas. O teatro voltou a lotar, nosso cinema está acontecendo mundo afora e as produtoras estão investindo em novos formatos narrativos", comemora. "Talvez esse seja o momento em que consigo encarar com mais otimismo o mercado para atores nacionais", conclui.

Um dos marcos da carreira de Caneppele, o romance Os famosos e os Duendes da Morte — adaptado para o cinema pelo diretor Esmir Filho — voltou recentemente ao catálogo da Netflix, apresentando a história a uma nova geração de espectadores 16 anos após seu lançamento nos cinemas. "Foi a obra que me apresentou para um público maior, tanto dentro quanto fora do país. Esse livro me levou a lugares surpreendentes, despertou a atenção da Academia Brasileira de Letras, foi convidado para o Festival de Berlim... Uma rede se abriu a partir desse livro e filme", relembra o artista.

O retorno ao streaming aconteceu em um momento especial, impulsionado pelo interesse do público durante a pandemia, quando a icônica frase de sua autoria — "Estar perto não é físico" — ganhou nova relevância. "O filme só estava disponível comercialmente em DVD, essa mídia agonizante. Retornar ao catálogo da Netflix permitiu tanto novos encontros com quem está vendo o filme pela primeira vez, quanto com aqueles que revisitam a obra", festeja.

Caneppele revela que está trabalhando na continuação do romance, um projeto aguardado pelos fãs há anos. "Esse é o primeiro romance que devo lançar desde Duendes da Morte. Escrevi dois livros que não foram e não sei se serão lançados", confessa, mencionando Verlust, que adaptou para o cinema em nova parceria com Esmir Filho. Sobre o novo livro, adianta: "Essa continuação desloca o personagem principal para outro personagem da trama, apresentando uma nova visão sobre os acontecimentos do passado".

Autonomia criativa

Em outra frente, Caneppele está em fase final de produção de Arroio de nós, documentário que assina como diretor e roteirista, sobre mulheres campesinas que vivem às margens do Arroio do Meio, no interior do Rio Grande do Sul. "Para além de diretor e roteirista, nesse filme também operei câmera, captei o áudio e produzi o filme. Estou em fase de montagem e de concretização de parcerias para a finalização", detalha.

Essa autonomia criativa, segundo ele, é fundamental para sua trajetória. "Esse trabalho autoral, dirigindo e roteirizando séries e filmes, e o trabalho como escritor, permitem que eu possa escolher trabalhos como ator que me instiguem. Trabalhar criando histórias me ajuda muito na hora de escolher narrativas transformadoras para atuar", reflete.

Para Caneppele, a circulação entre diferentes áreas não é apenas uma questão de versatilidade, mas de aprendizado contínuo. "Apesar de serem áreas distintas, elas acabam transbordando e se contaminando", observa. "Eu acho que poder desenvolver diversas funções no audiovisual faz com que se possa desenvolver também uma maior autonomia artística", completa.

Essa multiplicidade também funciona como um antídoto contra a ansiedade inerente à carreira artística: "Estar trabalhando é um ótimo antídoto para a ansiedade. Enquanto aguardo respostas em determinadas áreas, estou trabalhando em outras frentes. Não fico desesperado para que as coisas aconteçam de imediato. Para mim, estar ocupado é tudo. Criar suas próprias histórias faz com que se possa estar assim, em constante estado criativo".

Sobre o que ainda deseja explorar, o artista surpreende ao mencionar um formato emergente. "Eu gostaria muito de mergulhar no universo das novelas verticais. Não somente como ator, mas criando também. Vejo uma possibilidade de futuro nesse formato", revela.

 


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postado em 10/08/2026 20:05
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