
Em A treva: crônica dos anos da peste, a imaginária Terra dos Papagaios passa por um momento de colapso: pestes, rumores, crimes e calamidades estão retratadas nos manuscritos de Frei Tullius, um monge copista que se vê incapaz de mudar os rumos do país. “Esses anos da peste foram tempos bicudos durante os quais Terra dos Papagaios sofreu debaixo de uma praga que matou muitos dos seus, mas que, por meio de feitiçaria (segundo o frei que nos conta a história), infectou muitos mais, tornando as pessoas irreconhecíveis e irrazoáveis”, conta o autor do livro, Tullius, o Caetano.
A ideia da obra surgiu de uma série de aquarelas feitas por Caetano, ilustrador e quadrinista, durante a época de pandemia. Bruno Costa, editor da Ex Machina, propôs a publicação do projeto como um baralho de cartas, recusada pelo autor. “Me bateu aquela ambição e insanidade de fazer um livro ilustrado para adultos”, brinca.
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O resultado do trabalho chegou neste ano, com a publicação A treva: crônica dos anos da peste em formato de livro. Em Brasília, o lançamento acontece sábado (15/8), de 14h às 18h, na Oto Livraria. No evento, Caetano promove uma sessão de autógrafos para o público.
O colapso da Terra dos Papagaios se inicia com o ressentimento de uma antiga família que não consegue apoio popular suficiente para ocupar o trono e, por isso, recorre às artimanhas. “A partir daí, a coisa vai fugindo ao controle, a peste se estabelece e os absurdos se sucedem. O que era evidente deixa de ser, ninguém entende mais nada, não há mais certo e errado e os mortos vão se acumulando”, afirma Caetano.
O país passa por uma verdadeira Idade das Trevas. “Tardia, é verdade, atrasada, dirão alguns, mas cada país tem a Idade Média que pode, e Terra dos Papagaios, dizem, não é um país sério”, diz. “Reizinhos absolutistas, milhões de famintos lutando por ossos e morrendo de doenças para as quais já há remédio em outras partes do mundo, mas que são rejeitados por xenofobia e superstição, religião sendo usada para dominar as pessoas”, resume o autor.
O livro reúne mais de 150 elementos visuais, entre iluminuras, retratos, capitulares, mapas, vinhetas e um glossário ilustrado. A treva, diz Caetano, foi feita para ser uma “cebola de desejos, com camadas sucessivas de coisas que sozinhas já me fariam querer tê-la”. “Um livro-objeto, uma coleção de ilustrações satíricas e, para os corajosos que encaram uma leitura meio desafiante, um quebra-cabeças histórico e humorístico.”
Serviço
A treva: crônica dos anos da peste
De Tullius, o Caetano. Lançamento sábado (15/8), de 14h às 18h, na Oto Livraria (302 Norte). Editora Ex Machina, 216 páginas. R$90.
*Estagiária sob supervisão de Nahima Maciel

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