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"O corpo constrói o emocional", afirma Gabriel Chadan, ator de "Fúria"

Entre lutas e treinos, o ator Gabriel Chadan transforma o preparo físico em ferramenta de interpretação para as séries "Fúria", da Netflix, e "Ben-Hur", da Disney +. "O corpo é nosso instrumento. Ele carrega histórias, traumas e experiências", afirma

Gabriel Chadan, ator -  (crédito: Brunoo Rangel)
Gabriel Chadan, ator - (crédito: Brunoo Rangel)

Gabriel Chadan vive um momento de encontro entre diferentes partes de sua trajetória artística. Na Netflix, o ator interpreta Tanque em Fúria, produção que rapidamente conquistou o público e já alcança o primeiro lugar entre as séries mais vistas no Brasil e a segunda posição no ranking global. Até o fim de 2026, ele também chega ao elenco de Ben-Hur, superprodução da Disney e do Univer Vídeo que revisita um dos grandes clássicos da literatura mundial com uma abordagem brasileira.

Em Fúria, o que primeiro fisga o ator de 38 anos é justamente o desafio físico. Adepto de diferentes modalidades esportivas, o ator vê nas cenas de ação uma oportunidade de incorporar habilidades que já fazem parte de sua vida à construção dos personagens. "Amo esportes diversos e gosto de aplicar essas habilidades nos personagens que faço", conta. A preparação, no entanto, exige muito mais do que disposição para enfrentar sequências de luta. Para interpretar um lutador profissional e vitorioso, ele mergulha em uma rotina de treinos, alimentação e descanso.

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"O corpo é nosso instrumento. Ele carrega histórias, traumas e experiências. O primeiro passo para a construção emocional vem daí", afirma ele, que também atuou na primeira temporada de DNA do crime, na gigante do streaming mundial. O processo inclui horas de preparação física e exige que o ator compreenda, também emocionalmente, a rotina do personagem. "Não tem como chegar ao resultado sem viver, de fato, aquele desafio por completo", explica.

A experiência ganha uma dimensão ainda maior em Ben-Hur. Sem revelar detalhes da trama, Chadan define a produção como uma oportunidade de participar de uma história épica ambientada em outro tempo. O ator destaca a grandiosidade dos figurinos, cenários e cenas de ação, além do elenco. "Acredito que essa produção vai surpreender muita gente. Será um grande clássico da literatura mundial contado com DNA brasileiro", afirma.

Enquanto novos trabalhos chegam às plataformas, o passado recente também retorna ao público. Chadan está presente nas reprises de Avenida Brasil, na TV Globo, e em Amor à vida, no Globoplay Novelas. Para ele, acompanhar trabalhos de diferentes momentos da carreira em épocas e plataformas distintas é uma forma de revisitar a própria trajetória. "Me ver em diferentes épocas e plataformas é ver parte importante da minha história. Estou muito feliz", diz.

A carreira inclui ainda trabalhos como Malhação, Liberdade, liberdade e A lei do amor. Quando olha para essa trajetória, o ator evita eleger um personagem ou produção como o mais transformador. "Todos me trouxeram grandes transformações, de verdade. Cada trabalho é um ciclo novo, com novos desafios. E esse é o grande barato da profissão", resume.

Gabriel Chadan, ator
Gabriel Chadan, ator (foto: Brunno Rangel)

Multiplicidade

A multiplicidade também define o artista fora da atuação. Antes de se consolidar como ator, Chadan passa 15 anos ligado à música como vocalista da banda Fulanos e Ciclanos. A experiência o leva naturalmente à produção e à direção artística. Ao longo desse período, participa da produção de discos, eventos e clipes e passa a colaborar com outros artistas.

"Foi algo que aconteceu naturalmente", conta. A experiência acumulada no trabalho independente permite que ele amplie a atuação para além dos próprios projetos. Entre os nomes com quem trabalha está Ney Matogrosso, que dirige para o álbum Nem tudo são dores, da cantora Terra Blanco, sua companheira. Para Chadan, dirigir outro artista significa criar condições para que ele encontre a própria expressão. "Meu trabalho é potencializar o espaço criativo para que os artistas tenham liberdade para fluir e encontrar o melhor de sua expressão", explica.

A relação com o esporte, por sua vez, atravessa todas essas experiências. O sonho de infância de se tornar jogador de futebol permanece como uma espécie de fio condutor. Hoje, ele divide a rotina entre corrida, musculação, Hyrox e futebol, mas também mantém o interesse por surfe, skate e novas modalidades. Foi assim que chegou ao MMA durante a preparação para Fúria. "Me guia em tudo! Amo esportes e vejo como algo necessário. Movimento é vida!", afirma.

Se o corpo ganhou papel central na preparação para o trabalho mais recente, a paternidade também transformou a maneira como Chadan enxerga a própria vida. Pai de Gaia, ele diz que a filha e a companheira são responsáveis por um processo diário de aprendizado e amadurecimento: “Ser pai é a melhor experiência que eu já vivi e que vivo!”, declara. A experiência, segundo ele, o torna mais focado, exigente e empático e o ajuda a compreender melhor quem é. “A Gaia me ajudou a descobrir melhor quem eu realmente era e o que me pertencia. Ela é minha vida!”.
Entre atuação, direção, produção e música, Chadan não vê necessidade de escolher uma única linguagem. Para ele, as diferentes áreas se alimentam mutuamente e formam um ciclo criativo. Ainda assim, é diante das câmeras que encontra uma conexão particular.
“Acho que uma linguagem sempre está a serviço de outra. Para mim, é um ciclo de retroalimentação, criativa, psicológica e de expressão”, explica. Ele gosta de dirigir, orientar artistas e trabalhar nas próprias músicas, mas reconhece na atuação uma experiência diferente. “Confesso que atuar realmente é algo que mexe comigo de uma forma muito diferente. É onde eu me sinto conectado com tudo, onde todas as minhas artes se encontram”, finaliza. 

 


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postado em 13/08/2026 08:00
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