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Com longa premiado na Suíça, Ítalo Martins amplia presença internacional

Ator pernambucano revelado ao mundo no indicado ao Oscar "O agente secreto" brilha em festival de cinema na Suíça "À margem do rio" — longa premiado pelo júri — e consolida sucesso na televisão com novelas "Guerreiros do Sol" e "A nobreza do amor"

Ítalo Martins, ator -  (crédito: Ravaneli Souza/ Divulgação)
Ítalo Martins, ator - (crédito: Ravaneli Souza/ Divulgação)

Com uma trajetória marcada por personagens densos e uma presença cada vez mais reconhecida no audiovisual brasileiro, o ator pernambucano Ítalo Martins, de 36 anos, vive um dos momentos mais promissores de sua carreira. Seu trabalho mais recente no cinema, o longa À margem do rio, dirigido por Enock Carvalho e Matheus Farias, teve sua estreia mundial na última semana no Festival de Locarno, na Suíça — uma cidade de aproximadamente 15 mil habitantes que, durante o evento, recebeu mais de 3 mil espectadores. O longa brasileiro foi agraciado com o prêmio especial do júri.

A produção, gravada em 2025, conta com profissionais da equipe de O agente secreto, de Kleber Mendonça Filho, e deve seguir em circulação por festivais antes de chegar às salas comerciais. A trama do filme também se passa em Recife — cidade natal de Ítalo — e acompanha Izaquiel (Caique Copque), um auxiliar de serviços gerais que conhece o pescador Jeremias em meio aos manguezais da cidade. 

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A atuação de Ítalo — que chamou a atenção como o miliciano Arlindo no premiado longa que recebeu quatro indicações ao Oscar deste ano, incluindo o de Melhor Ator para Wagner Moura — começa a gerar expectativa entre críticos e público. À margem do rio é um trilher queer, que fala sobre desejo e fé, em cenas impactantes que envolvem nudez masculina e violência. "É um trabalho muito bacana, eu acredito que vai alcançar muita gente", aposta ele, que viveu mais de 22 horas, incluindo avião e trem, para chegar à cidade do festival. 

A presença do ator no festival suíço reforça o alcance internacional de seu trabalho, algo que, segundo ele próprio, tem ganhado novo significado nos últimos tempos. " Estou contente com esse momento. Passei a sentir que o trabalho ganhou espaço, conquistou um lugar de valor para o mundo. Antes, ficava no campo das ideias. De um ano para cá, as pessoas me reconhecem como um ator brasileiro, diretores e produtores comentam", celebra.

Relações raciais

Enquanto o cinema o leva a festivais europeus, a televisão brasileira também o consagra. Ítalo está atualmente no ar na novela A nobreza do amor, da Globo, onde vive Januário, filho de Dona Menina (Zezé Motta) e pai de Vitalino (Levi Assaf) — personagem batizado em homenagem ao mestre de Caruaru. Viúvo, Januário se apaixona por Ana Maria (Julia Lemos), uma moça branca, filha do patrão, em uma trama que aborda relações raciais e sociais com sensibilidade.

Para Ítalo, é de se comemorar o novo cenário para narrativas negras e protagonismo preto nas novelas, mas há um paradoxo que precisa ser observado. "O Brasil é racista, então há um paradoxo nessa abertura do mercado para haver mais gente preta nos elencos, mas, ao mesmo, ainda vemos uma rejeição por parte de uma camada mais conservadora do público", reflete. "Eu me blindo, preciso trabalhar, ainda mais de onde vim. Fui o filho que saiu de casa para fazer as coisas. Quando você tem que fazer mais, é cansativo, aí você cai. Sempre fui forte, mas uma hora a gente cansa. Me blindo, mas sem perder a consciência", desabafa.

O convite para o papel na novela das 18h veio como desdobramento natural de dois trabalhos anteriores que marcaram sua carreira: o longa O agente secreto e a novela do Globoplay premiada com o Rose d'Or Awards Guerreiros do Sol, na qual interpretou um dos protagonistas, Milagres. A roteirista Dione Carlos o indicou ao coautor Elísio Lopes Jr., e o convite foi construído. "Foi uma união de visibilidades", resume o ator.

Antes disso, Ítalo já havia alcançado grande impacto na televisão ao viver Samuel em Terra e paixão (2023), de Walcyr Carrasco, novela das 21h da Globo. Embora morto no primeiro capítulo, a presença de Samuel — marido da protagonista Aline (Bárbara Reis), assassinado por resistir ao sistema opressor — ecoou por toda a trama. "Ele me abriu um portal", afirma o ator, reconhecendo o papel como um divisor de águas em sua trajetória.

Em meio à ascensão, Ítalo mantém um olhar sereno, mas consciente sobre o momento que vive:  "O que todo ator quer é isso: trabalhar. É um momento que me traz um pouco de sossego, as pessoas conhecem e respeitam uma sorte de trabalhos bons, com pessoas respeitadas no audiovisual".

Além desses destaques, Ítalo integrou o elenco de séries como Criminal (Amazon), Treze dias longe do Sol, Onde está meu coração (TV Globo), Cidade invisível (Netflix), Crimes.com (Discovery Channel) e Psi (HBO), além da novela Amor sem igual (Record). No teatro, atuou em montagens como Um inimigo do povo, com direção de Moisés Gonçalves (PE), e Orgia ou De como os corpos podem substituir as ideias, pelo Grupo KUNYN de Teatro (SP), sob direção de Luis Fernando Marques Lubi.

 


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postado em 17/08/2026 17:28 / atualizado em 17/08/2026 17:30
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