
A quebra da paisagem, coletânea de fotos de Hugo Mader organizada por Evandro Salles e João Lanari Bo, e Mulheres contam, de Maria Lúcia Verdi, abordam, de maneiras diferentes, a memória. No primeiro, mais de cinco mil fotos de Mader, que morreu em 2023, foram analisadas pelo curador Evandro Salles para chegar ao projeto final que divide o trabalho do fotógrafo em cinco blocos; no segundo, Maria Lúcia Verdi materializa um projeto que começou há mais de 30 anos — levar ao papel as histórias de vida das mulheres que a rodeiam.
Neste sábado, às 17h, a livraria Platô recebe o lançamento conjunto das duas obras. No evento, com direção de João Antônio, quatro atrizes brasilienses interpretam textos de Mulheres contam. Bidô Galvão retrata uma mulher que priorizou a carreira durante a vida adulta e, aos 90 anos, enfrenta a solidão; Carmen Moretzsohn, uma personagem que se vê sozinha em casa com a mudança de filhos e netos para longe; Adriana Mariz, uma ativista ambiental ribeirinha; e Kuka Escosteguy, uma adolescente que é violentada pelo namorado.
Mulheres contam apresenta 18 textos escritos em formato de crônica, conto e relatos das personagens em primeira pessoa, ou seja, explica Verdi, um "livro híbrido". "Ele se ocupa de temas muito universais. São mulheres de todas as origens, credos e idades e, em maioria absoluta, com quem eu convivi, como minha mãe e tia. Nasce da escuta e da observação das questões e vários e desafios que elas vivem", diz.
Verdi relembra, no livro, uma amiga chinesa que, na época da escrita, enfrentava um câncer; uma mulher trans do Norte que veio a Brasília em busca de melhores condições de vida; o dia de uma mãe, moradora da Rocinha, que foi abandonada pelo marido depois de descobrir um câncer de vida e tentava levar a filha e a mãe para um lugar melhor.
São histórias de mulheres próximas a ela, casos que que escutou de terceiros e detalhes da própria vida misturados em um só livro. "Foi difícil, mas importante. Há um distanciamento na hora que se consegue escrever, coloca longe num papel, um alívio. Coisas que coloquei da minha vida e consegui tratá-las literariamente", conta a autora.
A escritora considera Mulheres contam um exercício importante de escrita. "Percebi que tinha temas, a questão de querer fazer ouvir a voz das mulheres, que não são escutadas, só pela amiga mais próxima, e não o marido ou namorado", afirma. "Acho que é importante a questão da solidão, raça, idade, e que ficaram próximas a mim."

Diversão e Arte
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