
O professor de história e ativista LGBTQIAPN+ Marcus Maciel decidiu comemorar o aniversário de 65 anos de forma significativa. Neste domingo (23/8), às 17h, lança, na Casa de Chá, na Praça dos Três Poderes, os livros Brasília em chamas, sobre os acontecimentos políticos que culminaram nos atos de 8 de janeiro, e O pajubá me acuendou da escola, que discute a exclusão no ambiente escolar e apresenta a história de vida de pessoas trans.
Em Brasília em chamas, Maciel, além de abordar os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023, analisa fatores que, para ele, ajudam a compreender a formação da direita no país. “Durante muito tempo, Brasília foi vista principalmente como a capital planejada, monumental, símbolo da República e da democracia. Depois daqueles acontecimentos, ficou impossível olhar para os seus espaços de poder sem lembrar que a democracia também precisa ser permanentemente defendida”, diz.
Para ele, os atos de três anos atrás mudaram a capital de duas formas: rompendo “uma certa ingenuidade sobre a própria cidade” e a percepção de que as instituições são indestrutíveis. “Talvez essa seja uma das razões pelas quais escrevi Brasília em chamas: para registrar que o 8 de janeiro não aconteceu em uma cidade abstrata. Aconteceu na cidade onde eu vivo, na capital que acompanho praticamente desde a infância e que faz parte da minha própria história”, explica.
O pajubá me acuendou da escola nasce da experiência de Maciel como professor e pesquisador da área da educação e a vontade de mostrar a outra face da história de um grupo que, por muito tempo, foi contada pelo lado da exclusão. “Eu não queria escrever mais uma narrativa em que pessoas travestis, transexuais e transgênero aparecessem apenas como vítimas de violência, abandono ou preconceito”, conta. “Queria apresentar pessoas que enfrentaram a exclusão escolar e conseguiram ultrapassar essas barreiras, chegando ao mundo acadêmico, profissional e intelectual.”
O livro traz as histórias de Viviam Miranda, astrofísica que participa de um projeto de desenvolvimento de satélite da Nasa; João W. Nery, homem trans que passou por cirurgias de redesignação sexual clandestinas na época da ditadura militar; Jaqueline Gomes de Jesus, aluna da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Luma Nogueira de Andrade, da Unilab; e Megg Rayara Gomes de Oliveira, da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
O que une todos os participantes, explica Marcus, é o lugar que ocupam na proposta que buscou desenvolver no livro: pessoas trans que construíram trajetórias acadêmicas, profissionais e intelectuais de sucesso. “Eu não quis transformá-las em ‘exemplos de superação’ de maneira simplista. Quis mostrar suas trajetórias, suas escolhas, suas dificuldades e, sobretudo, aquilo que elas produziram apesar das barreiras que encontraram”, resume.
Serviço
Brasília em chamas e O pajubá me acuendou da escola
De Marcus Maciel. Lançamento domingo (23/8), às 17h, na Casa de Chá (Praça dos Três Poderes).
*Estagiária sob supervisão de Nahima Maciel

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