
Mateus Solano criou o monólogo O figurante a partir de uma inquietação pessoal em relação à vida de forma geral. “Usei a profissão do figurante para falar de uma sensação de invisibilidade que assola todos nós em nosso dia a dia numa vida que a gente vive e, muitas vezes, parece não ser nossa. A peça gira em torno de se questionar o quanto vivemos e o quanto somos vividos”, explicou o ator, em entrevista ao Correio quando trouxe a peça pela primeira vez a Brasília, em 2025.
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Agora, o ator está de volta aos palcos brasilienses com quatro sessões de O figurante programadas para sábado (22/8) e domingo (23/8) no Teatro Royal Tullip. Nascido de uma parceria com o diretor Miguel Thiré, o monólogo foi um trabalho desafiador para Solano. “Sem dúvida nenhuma o maior desafio foi estar sozinho em cena pela primeira vez. O segundo maior foi transformar em teatro angústias e questões que eram minhas e que eu não sabia se teriam identificação junto ao público”, contou. Depois de dois anos em cartaz, a dramaturgia amadureceu.
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Em entrevista, o ator explica que o público costuma se identificar com o texto. “É uma peça que muda porque ela foi garimpada do meu subconsciente e, portanto, foi me dizendo mais e mais coisas durante a temporada”, avisa. “E também, a partir da resposta do público, a peça foi me dizendo que ela falava sobre muito mais coisas do que do que eu achava.”
Na televisão,no teatro ou no cinema, a figuração consiste em fazer parte do fundo da cena. É sempre algo que não pode chamar muito a atenção e, apesar de fundamental para o audiovisual, o figurante nunca tem destaque. Mateus Solano queria lançar para o público uma reflexão que traz a ideia do figurante para a vida real e indaga: como é sentir-se figurante da própria vida, fazer parte de uma história que não foi escrita pra você, sentir-se longe de quem você verdadeiramente é? “É uma peça que começou simplesmente lançando uma questão para a plateia de se a gente é o protagonista ou um mero figurante na nossa própria existência”, conta. “Depois de tanto tempo e de tantas apresentações, acho que a peça conseguiu a façanha de perguntar também por que não ser figurante? Afinal, somos todos figurantes aqui neste planeta, nesta existência.”
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Solano vai além e enxerga na peça um questionamento sobre a existência. “Se houver algum propósito (em viver), ele é tão maior do que a nossa mera existência aqui! A peça foi ganhando camadas e foi se aprofundando quanto mais eu ia fazendo. Mais que se aprofundando, foi se revelando”, acredita. “Alguma coisa que sai do subconsciente, essa parcela que nos governa e que a gente tão pouco conhece continuou se revelando pra mim durante todas essas apresentações.”
Serviço
O Figurante
Com Mateus Solano. Sábado (22/8), às 17h30 e às 20h, e domingo (23/8), às 17h e às 19h30, no Teatro Royal Tulip (Hotel Royal Tulip Alvorada). Ingressos: a partir de R$ 25, na Belini (113 Sul) ou no Sympla. Não recomendado para menores de 12 anos

Diversão e Arte
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