
A experiência de interpretar Diadorim na minissérie Grande Sertão: Veredas, dirigida por Walter Avancini, marcou um antes e um depois na vida de Bruna Lombardi. Quatro décadas depois das gravações, a atriz e escritora revisita aquela experiência em Diário do Grande Sertão (Autêntica), que chega a Brasília amanhã , ao lado do romance Mulheres que sentem espíritos (Record). Bruna participa de sessão de autógrafos a partir das 17h, na Livraria da Travessa do Casa Park.
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Em entrevista ao Correio, Bruna lembra o mergulho radical no universo de Guimarães Rosa. Foram mais de 100 dias de gravações pelo sertão de Minas Gerais, Goiás e Bahia, em uma produção que levou centenas de profissionais e figurantes para regiões que, à época, ainda não tinham acesso à luz elétrica. "Era preciso vencer meu medo e ter a coragem que nunca piscava, que era a de Diadorim", conta.
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Para a atriz, a transformação exigida pelo papel foi muito além da caracterização. "É preciso entender a alma da personagem, não é uma troca de cabelo, é uma troca de alma", afirma. O contato com a paisagem também deixou marcas permanentes. "O quanto o sertão me envolveu e eu me tornei o sertão. Eu carrego o sertão dentro de mim até hoje, é minha raiz. A minha vida existe antes e depois do sertão."
O diário nasceu justamente como uma forma de elaborar aquela experiência. Nele, Bruna registra impressões do cotidiano das filmagens, da paisagem e da construção de Diadorim, personagem que, em sua leitura, também permite olhar para a condição feminina no universo de Guimarães Rosa. "Meu diário só fala do ponto de vista do Diadorim", explica. Para ela, trata-se de um registro de uma vivência que passou mais de quatro décadas sem ser contada sob essa perspectiva.
Essa dimensão aparece de outra maneira em Mulheres que sentem espíritos. O romance nasceu de uma promessa feita pela própria Bruna durante a escrita do diário, de que, um dia, ela escreveria sobre as mulheres fortes de sua família. A protagonista, Lorena, tem 43 anos, está separada e enfrenta a morte da mãe quando descobre segredos familiares que a levam, ao lado da irmã adotiva, até a Grécia.
A jornada se transforma em uma investigação sobre ancestralidade, identidade e autoconhecimento. "O livro fala do nosso sagrado feminino, da nossa ancestralidade, da conexão espiritual, da intuição", explica Bruna. Segundo ela, a história também trata da necessidade de deixar de fugir de quem se é. "Fala de a gente parar de fugir de nós mesmas e, finalmente, nos tornarmos quem somos."
Serviço
Lançamento de "Diário do Grande Sertão" e "Mulheres que sentem espíritos"
Amanhã, às 17h, na Livraria da Travessa - Casa Park
*Estagiária sob a supervisão de Severino Francisco
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