
Artistas de diferentes regiões do Brasil se reúnem na Mostra Violas Brasileiras: Da Raiz ao Contemporâneo, que ocorre no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) entre hoje e domingo . A partir de trabalhos autorais, o evento busca apresentar a diversidade da viola caipira ao mesmo tempo em que reforça a importância do instrumento na cultura brasileira.
A proposta surge diante da necessidade de promover a integração entre manifestações que, por vezes, ficam apenas regionalizadas. A mostra faz panorama dos estilos e linguagens que a viola abrange. "A viola revela a diversidade da nossa cultura, como uma colcha de retalhos. Cada região colabora com uma parte", diz o idealizador da mostra, o produtor cultural Júlio José.
Diante de um sertanejo cada vez mais pop, o evento no CCBB oferece contraponto que remonta às origens da música caipira. O projeto do sertanejo, para Julio, tem forte caráter de entretenimento. "Ele insere a cultura americana do chapéu texano e do fivelão no cinto com letras sem poesia e sem sentimento rural. Nada a ver com as violas brasileiras. Nós lutamos por nossa identidade", argumenta.
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Para Bilora, violeiro de Santa Helena de Minas, a viola caipira representa "patrimônio sentimental do povo brasileiro". Ele se apresenta hoje, às 19h, com repertório que envolve elementos das toadas, do xote e dos batuques. Do interior de São Paulo, Levi Ramiro traz compilado de 12 álbuns que compôs. Segundo Ramiro, a música de viola é um movimento importante na música brasileira "pelo fato de pessoas de diferentes formações musicais a utilizarem, indo da vanguarda à tradição".
Hoje, Cássio Nobre e Mestre Aurino, às 21h, também se apresentam. Amanhã, a programação começa às 13h, com a Oficina de Afinações com Bob Vieira, seguida, às 15h, pelo show da Orquestra Roda de Viola com Dayane dos Reis. Às 16h30, será a vez de Diego Britto e Kauan Alves do Quilombo do Carrapato com Ruiter na percussão; às 18h, do Grupo Victor Batista e Galba; às 19h30, de Levi Ramiro; e, às 21h, de Carol Carneiro.
No domingo (13/8), as apresentações começam às 19h30, com Volmi Batista. O encerramento, às 21h, ficará por conta de Miltinho Edilberto e Duda. Para Bob Vieira, violeiro, compositor e intérprete de Itapetininga (SP), um evento como esse dimensiona as relações da viola com as raízes da história do país. "É um caldeirão musical genuíno e transbordante de belezas sonoras", define.
*Estagiário sob supervisão de Severino Francisco

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