
Dora é uma acumuladora de afetos e lembranças. Viveu para cuidar da família e deixou os próprios sonhos de lado, mas foi feliz. No entanto, não consegue escapar dos pensamentos nos quais questiona as próprias escolhas. Foi esse desenho da personagem que fez Grace Gianoukas se apaixonar por Dora, protagonista do monólogo homônimo dirigido por Gilberto Gawronski e com texto de Thereza Falcão. Em cartaz a partir desta sexta-feira (11/9) e até domingo (13/9) no Teatro Royal Tulip, Dora é um, como diz Grace, um espetáculo “antietarista e antiacomodação”.
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Grace ficou conhecida no Brasil pelo projeto Terça insana, palco de formação de toda uma geração de atores brasileiros e, especialmente, daqueles versados em comédia. Dora tem boas doses de comédia, um ingrediente que Grace considera muito útil para falar dos temas sérios trazidos pela dramaturgia de Thereza Falcão. “Ela é uma mulher que poderia ser chamada de salvadora da família, aquela que pega todas as responsabilidades para ela, fica cuidando de tudo, a família está em primeiro lugar”, explica a atriz. “E, em muitos momentos da vida, para manter a harmonia da casa, ela abriu mão de muitas coisas. E ela vai descobrindo coisas que não tinha a menor ideia sobre a própria vida e começa a questionar as escolhas que fez.”
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Uma caixa cheia de pertences de um falecido da família dá início às descobertas de Dora, uma acumuladora para quem os objetos são portadores de lembranças e significados. O espetáculo é cheio de referências, muitas delas vindas das décadas de 1970 e 1980, e Grace admite que, quando leu o texto pela primeira vez, enxergou nele muitas características autobiográficas. “Na medida que ela vai mexendo nas coisas, vai tendo lembranças. É um espetáculo cheio de referências de uma época, mostra quantas coisas a gente viveu, o quanto o mundo mudou, e o quanto a gente acompanhou ou não”, diz a atriz.
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Dora também traz uma mensagem. Aos 62 anos, a atriz enxerga no texto um aviso sobre a durabilidade dos sonhos. “Às vezes, a gente acha que a vida já passou, que os sonhos não cabem mais, que não dá mais para fazer algo”, diz. “Mas, às vezes, ainda dá muito tempo de fazer as coisas. Por isso me deu vontade de fazer esse espetáculo. Somos uma geração mais saudável, com muito mais possibilidades que as anteriores nessa idade, e nunca é tarde para a gente realizar as coisas. O espetáculo oferece uma oportunidade incrível de muitas gargalhadas e reflexão sobre as escolhas que a gente está fazendo agora, mas para todas as idades.”
Serviço
Dora
Com Grace Gianoukas. Sexta-feira (11/9) e sábado (12/9), às 20h, e domingo, às 18h, no Teatro Royal Tulip (SHTN, Trecho 1, Conjunto 1B, Bl. C). Ingressos: de R$ 25 a R$ 140, no Sympla. Não recomendado para menores de 14 anos

Diversão e Arte
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