
O cinema documental protagonizou a terceira noite da Mostra Competitiva Nacional do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O longa Tudo é tempo, de Marcos Guttmann, acompanha quatro eleitores de uma mesma seção no Rio de Janeiro ao longo de 20 anos. O diretor carioca retorna ao festival brasiliense depois de 34 anos. A última exibição havia sido em 1992, quando apresentou o curta Lapso, ele foi laureado com a melhor direção e o prêmio especial do júri.
No novo trabalho, Guttmann retrata os processos eleitorais entre 2002 e 2022 a partir do ponto de vista de quatro pessoas de uma mesma seção do Rio de Janeiro. Para o diretor, as vidas de Carlos Eduardo Ibrahim, Fernando Pereira, Heber Cunha e Cristiane Magalhães Rosa revelam muito mais do que a política partidária.
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“O documentário exercita essa questão de respeitar o outro”, afirma o diretor. “Busquei fazer um filme humanista, um filme que observa as pessoas”, explica ao citar inspiração em Eduardo Coutinho, mestre do documentário brasileiro.
No começo das filmagens, em 2002, o Brasil vivia “sentimento de esperança, de uma mudança muito especial”, como descreve o cineasta. Guttmann teve, então, o desejo de acompanhar essa transformação. “Como ia impactar a vida das pessoas? Queria saber onde isso ia dar. Não fazia ideia quanto tempo isso ia levar”, relembra. O período de ebulição da história recente aparece na trajetória dessas quatro pessoas comuns.
Guttman reconhece que, nesse processo, se tornou um dos personagens do filme, tanto como narrador quanto como testemunha. “Eu mudei, as pessoas mudaram, o Brasil mudou. Foram muitas transformações em 20 anos.”
O diretor destaca a importância do festival brasiliense para o caminho trilhado no cinema. “A minha trajetória como cineasta passa inexoravelmente pelo festival de Brasília. Ele era estudante de direito quando trouxe o primeiro curta à capital, em 1991. “Lá se vão 35 anos”, reflete. “Isso foi fundamental para me posicionar em minha carreira como diretor. É muito gratificante estar aqui hoje, de volta, ainda mais depois de tudo que passou o festival, das questões políticas, de que quase não teve.”
Os curtas-metragens Fundura, dirigido por Catapreta, de Minas Gerais, e Cidão, da cineasta goiana Alessandra Gama, também foram exibidos. Na obra mineira, Um filho desgarrado é salvo por uma força ancestral que julgava ter deixado para trás. Na produção de Goiás, décadas após a morte do pai, uma filha transforma arquivos familiares, memórias fragmentadas e fabulações em filme que atravessa o luto tardio.
Diversão e Arte
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