
Três documentários da cineasta e fotojornalista brasiliense Tina Coêlho foram selecionados para a Rio Ocean Week 2026, o maior festival de cultura oceânica da América Latina que acontece a partir desta quinta-feira (17/9), no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. O evento faz parte da cátedra da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
Os filmes Cercados? (2024), Sistema coral - linhas de vida em assembleia (2021) e O calador e a corda (2025) foram desenvolvidos em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Nova de Lisboa (Nova-FCSH), o Centro em Rede de Investigação em Antropologia (CRIA) e a Agência Terra Imagem, como explica Tina ao Correio.
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“Fazer cinema não é fácil, filme etnográfico mais ainda, pois é resultante de uma pesquisa científica e envolve todo o rigor e atenção de uma investigação antropológica. Todos os filmes são fruto de pesquisas de campo etnográficas”, declara.
A cineasta afirma que, passada a surpresa de ter sido selecionada, o momento agora é de alegria pelo reconhecimento das obras e também de compartilhamento de ideias com o público.
“Encaminhei os filmes sem muita expectativa”, afirma. “Como artista é o reconhecimento de um caminho bem trilhado, feito com dedicação e a intenção de dar mais visibilidades às questões oceânicas e também às populações tradicionais que dele tanto dependem”, acrescenta.
O painel Cinema Comentado do Rio Ocean Week, do qual Tina Coêlho participa, reúne autores e especialistas brasileiros para mostras de filmes voltados para a diversidade e preservação oceânica. As obras foram selecionadas via chamamento público.
Além das exibições dos documentários, o público participará de uma roda de conversa junto à autora. A programação completa do painel pode ser acessada no site. A entrada é franca.
Conheça as obras
Cercados?
O curta documenta o desenvolvimento da energia eólica marítima em Portugal, na perspetiva de diferentes atores locais e nacionais. Em meio ao processo de partilha do mar entre a instalação do primeiro parque eólico flutuante no espaço marítimo nacional, e as consequências na pesca local, está a discussão sobre a expansão da área reservada para a geração de energias ditas “renováveis” no mar português.
A obra foi laureada pelo Festival Internacional Ekotopfilm na Bósnia-Herzegovínia.
Sistema coral - linhas de vida em assembleia
O filme retrata o universo dos mergulhadores de apneia de uma vila de pescadores artesanais na Reserva Extrativista do Corumbau, localizado no Banco de Abrolhos, na Bahia. Na reserva, apenas a comunidade beneficiária pode usufruir dos recursos. No entanto, as mudanças climáticas e o turismo causam impactos cada vez mais fortes na relação entre a população local e os recursos naturais.
As filmagens coincidiram com dois grandes desastres ambientais: o branqueamento dos corais e o, ainda hoje misterioso, derramamento de petróleo no litoral baiano. Os incidentes levaram a uma mobilização sem precedentes da comunidade, na tentativa de limpar, à mão, quilômetros de praias, mangues e rios, atingidos pelo petróleo invasor.
O calador e a corda
A arte xávega é praticada a centenas de anos na Costa da Caparica, na comunidade de Fonte da Telha, localizada a poucos quilômetros de Lisboa (Portugal). As “artes” como são chamadas pelos pescadores artesanais são tombadas como Patrimônio Cultural Imaterial de Portugal atravessando o tempo, de geração em geração, legando um presente, ao tempo futuro.
O filme mergulha na narrativa do homem em sincronia com o tempo presente, se adaptando às novas tecnologias, em um diálogo entre as paisagens sonoras, a natureza marinha, a voz oculta do personagem, e o ponto de vista da realizadora/pesquisadora.
Diversão e Arte
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