CINEMA

Como filmes internacionais chegam ao Oscar? Entenda processo

Cinema brasileiro elegeu 'feito pipa' para representar o país na premiação de 2027. Lista final sai em janeiro

O cinema brasileiro vive retrospecto de sucesso nas últimas edições da principal premiação do cinema mundial, o Oscar. Em 2025, o longa Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles, venceu na categoria de Melhor Filme Internacional pela primeira vez. No ano seguinte, com O Agente Secreto, bateu na trave, mas somou recorde de indicações. Agora, Feito Pipa, longa de Allan Deberton, foi o escolhido para representar o país na edição de 2027.  

Mas, afinal, como um filme internacional chega à categoria homônima na disputa pelo Oscar? 

Há uma série de exigências feitas por parte da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (Ampas), organização que reúne profissionais da indústria do cinema em Hollywood e que, nos últimos anos, tem se esforçado em contar com mais membros estrangeiros. Cada nação filiada à Academia (como a Brasileira, por exemplo) se junta, por meio de uma comissão previamente aprovada, para eleger apenas um representante nacional por ano.

No Brasil, uma Comissão de Seleção é formada, cuja responsabilidade é escolher o longa concorrente. O comitê é formado por 15 membros titulares, todos profissionais da indústria cinematográfica brasileira. 

Pelas novas regras da Academia, aprovadas para o Oscar de 2027, também é possível ganhar a indicação ao vencer premiações em grandes festivais mundiais (como Berlim, na Alemanha; Cannes, na França; e Veneza, na Itália, por exemplo). Eventuais triunfos rendem elegibilidade direta para a categoria, sem a necessidade de ser escolhido pelo comitê do respectivo país.  

Depois, há uma votação da própria Academia. Após todas as inscrições já terem sido realizadas, os membros assistem às obras e votam em listas de pré-seleção. A partir daí, são definidos os indicados oficiais, estes anunciados em uma lista final em janeiro.  

Há, ainda, critérios mais específicos e detalhados

De acordo com a própria Academia, o critério mais importante é o do idioma. Mais de 50% de todos os diálogos devem acontecer em uma língua que não seja o inglês, obrigatoriamente. Além disso, o longa precisa estrear comercialmente nos cinemas do país de origem entre as datas específicas de elegibilidade. Geralmente, este período data de 1º de outubro de um ano, a 30 de setembro seguinte. 

É necessário ainda ser exibido por, pelo menos, 7 dias seguidos em um cinema comercial, e, dessa forma, gerar lucro para exibidor e produtor. É preciso também ter sido colocado em cartaz no cinema antes de ser disponibilizado na televisão, internet, streaming ou em DVD. O longa também deve ser produzido de forma majoritária fora dos Estados Unidos, e o controle criativo da obra deve ter sido realizado por pessoas naturais do país de origem da obra.

Também é obrigatório ter mais de 40 minutos de duração; ser exibido em película de 35mm ou 70mm, ou em formato digital DCP (Digital Cinema Package) com resolução nativa mínima de 2K ou 4K; contar com som obrigatoriamente configurado em canais de áudio de cinema, com variações entre 5.1 a 7.1 canais de áudio digital discretos; além de legendas em inglês traduzidas com precisão. 

 

  

 

 

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