
O longa Diário do fogo, que teve sua estreia no sábado (3/10) durante o Festival do Rio, coloca o ator Higor Campagnaro entre os nomes de maior destaque. No filme, a trama gira em torno de Graça — personagem de Isabel Teixeira —, que abandona o apartamento onde vive motivada por um sonho. Ao longo da narrativa, o público acompanha o vínculo que se forma entre ela e o personagem interpretado por Higor: um vigilante que assume a missão de defendê-la de inimigos da região.
Higor dá vida a Souza, descrito por ele como um homem de poucas palavras que redescobre um propósito ao se envolver com o afeto e a proteção de outras pessoas. "Souza é um vigia solitário, tem poucos amigos, mas, por causa das perseguições que a Graça enfrenta, ele acaba criando uma conexão com ela e com a filha dela para protegê-las de quem as persegue", explica o ator.
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Sob a direção de Maju de Paiva e Bernardo Florim, o filme propõe uma reflexão sobre questões sociais profundas ao retratar o encontro de dois universos atravessados pela solidão e pela resistência.
Para o artista, natural de Aracruz (ES), exibir o longa no Festival do Rio tem um valor pessoal: ele escolheu a capital fluminense como casa desde 2011.
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De volta aos palcos
Em 2026, quando completa 20 anos de carreira, o ator também retorna ao teatro com O extermínio da cegonha, espetáculo idealizado e dirigido por Pedro Uchoa. A temporada vai de 23 de outubro a 15 de novembro, no Teatro Sérgio Porto, no Humaitá (Rio de Janeiro), e tem Higor como protagonista. A montagem se apoia na estrutura das tragédias clássicas gregas para discutir a hiperconexão e a solidão dos dias atuais, impulsionadas pelas redes sociais.
"A história que abordamos é muito contemporânea, mas está apoiada na tragédia grega. O que provoca os conflitos é o Instagram, que na peça funciona como um oráculo. Mais do que as questões dos personagens, o espetáculo expõe a nossa relação com a internet e como éramos antes dessas ferramentas", analisa.
No palco, ele interpreta Samuel, um homem comum marcado por reencontros virtuais. "Eu faço um torcedor do Fluminense que, numa noite sozinho em casa na véspera de feriado, decide dar uma olhada na rede social e reencontra a namorada da adolescência. A partir daí, tudo se desenrola", conta.
Para Higor, o choque entre a forma clássica e o tema moderno é o que move a peça. "Ela tem esses elementos bem definidos: um coro no início, o 'herói' narrando sua trajetória, uma grande revelação. A diferença é que tudo isso acontece agora, com smartphones superpotentes, carros automáticos e nós cada vez mais desconectados uns dos outros", observa.
Trajetória no audiovisual
Antes de conquistar papéis de protagonista no cinema e no teatro, o ator de 42 anos construiu uma trajetória com participações relevantes no audiovisual. O longa Um animal amarelo, de Felipe Bragança, lhe rendeu menção honrosa de Melhor Ator no Festival de Gramado. Ele também se destacou na série Os últimos dias de Gilda (exibida no Festival de Berlim) e nos filmes Os primeiros soldados, Doutor Gama, Fúria, de Ruy Guerra, e O mensageiro, de Lúcia Murat. Seu trabalho mais recente na TV foi no remake de sucesso de Vale tudo, no qual interpretou o piloto Marcondes.
"Foi uma experiência incrível, porque me conectou diretamente com a memória afetiva da infância. Quando criança, eu assistia à novela e no dia seguinte brincava com meus primos de refazer as cenas. Então, quando veio o convite para essa participação, vibrei muito", revela. Na trama, ele deu vida ao piloto do avião particular do vilão Marco Aurélio (Alexandre Nero) no início da história.
Ainda em 2026, além da estreia do filme, Higor deve começar em breve as gravações de uma série infantil para o Canal Futura.
Diversão e Arte
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