
Crítica // Hope: O primeiro impacto ★★★
Para além da adrenalina, a complexidade inesperada reveste Hope: o primeiro impacto, filme que marca o retorno à direção de Na Hong-jin, conhecido por investir em tramas de serial killers e de fundo de investigação. Uma zona resguardada, entre as duas Coreias, na trama do novo filme, deixa de ser aquietada e sofre, para desespero dos moradores de uma vila, uma invasão progressivamente estrondosa.
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Com o filme, pela primeira vez, Na Hong-jin competiu à Palma de Ouro, no Festival de Cannes. O longa de fantasia sul-coreano reposiciona Na Hong-jin, na escala de colegas consagrados como Park Chan-wook e Bong Joon-ho (vencedor do Oscar por Parasita).
Com cargas fortes de suspense, os primeiros 40 minutos do filme situam o espectador no plano em que os personagens estão perdidos: com bloqueio nas comunicações e absoluta falta de efetivo, a polícia, em especial, o detetive Bum-seok (Hwang Jung-min) e, em seguida, a policial Sung-ae (HoYeon, a mesma de Round 6) travam o embate com o desconhecido: não seria um tigre (a inicial desconfiança de todos) e, sim, extraterrenos os invasores que matam, a esmo, um punhado de moradores.
Pouco a pouco se estabelece a realidade: indícios de uma fuga cósmica despontam, pela descoberta de uma nave espacial, e, separados em pequenos grupos, moradores juntarão pistas das diferentes castas de forasteiros que incluem desde o guerreiro Ma'veyyo (Michael Fassbender) à ferida J´aur (Alicia Vikander). Nas várias frentes de conflito, caça e caçadores se alteram. Mesmo com o terror insinuado, Na Hong-jin não deixa de injetar visões cômicas, a exemplo do relato do idoso escondido de um urso ou ainda da cena de autópsia à la tubarão de O agente secreto.
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