
Reunir os 30 instrumentistas da Choro Popular Orquestra, mais do que encontro musical, é sempre oportunidade de manter viva a tradição do gênero que fez de Brasília um alicerce. Sob a batuta do maestro Fabiano Medeiros, o grupo se apresenta no Clube do Choro amanhã, às 19h30, a convite dos donos da casa, o conjunto Choro Livre. A entrada é franca, mediante retirada de ingressos.
Com duração de duas horas, o show compila clássicos do cancioneiro nacional, além de músicas autorais. Entre os destaques estão Brasil pandeiro, composta por Assis Valente e popularizada na voz dos Novos Baianos, Canto de Xangô, de Baden Powell e Vinícius de Moraes e Sinhá, de João Bosco e Chico Buarque. Obras de Moacyr Santos, Jacob do Bandolim, Ernesto Nazareth e Pixinguinha também compõem o espetáculo.
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A Choro Popular Orquestra foi criada em 2024 a partir da iniciativa de Reco do Bandolim, da Escola Brasileira de Choro, do violonista Henrique Neto. A proposta, segundo o maestro Fabiano Medeiros, é promover a releitura da música brasileira, mas também imprimir novas marcas. "A pesquisa dos diversos sotaques do choro tem sido objetivo de nosso repertório de interpretações, bem como o autoral. Aspectos tanto da tradição quanto da vanguarda do gênero aparecem no arranjo", diz o regente.
Outra marca do trabalho desenvolvido pela orquestra é a diversidade sonora. Os violões de seis e sete cordas, o cavaquinho, o bandolim e o pandeiro atuam na linha de frente e concentram o protagonismo nas cordas dedilhadas. Unidas aos sopros e à percussão, o que se tem é "uma leitura e performance musical muito diferente e singular", defende o maestro.
Segundo ele, em apenas dois anos foi possível avançar rumo ao universo da música brasileira instrumental, modalidade cujo acesso ainda é restrito. "São incríveis os resultados até aqui, especialmente no que diz respeito à recepção do público com o repertório, a performance e interação do público por onde a orquestra tocou. Foram demonstrações de muita conexão com nossa música", afirma Medeiros. O objetivo, continua o maestro, é "sempre avançar, pois o mergulho na música brasileira é, de fato, uma jornada sem fim".
A orquestra também funciona como capacitação para instrumentistas, com parceria do Instituto Cultural de Educação Musical de Brasília (ICEM). Assim, diferentes gerações de músicos reúnem-se no palco. O diálogo entre "jovens e mestres do choro" representa "uma grande conquista", avalia o maestro. Para ele, orquestrar um gênero popular aumenta oportunidades de conexão de músicos negligenciados.
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"Não há nada que não seja tão significativo para um gênero musical como um choro do que vê-lo sendo executado por uma orquestra, uma reunião de abnegados músicos dando o seu melhor na busca de entregar a beleza da nossa música. O choro como um patrimônio imaterial do Brasil merece esse lugar e essa leitura."
Completam o espetáculo Flor Amorosa, de Joaquim Callado, Os boêmios, de Anacleto de Medeiros, Um chorinho em cochabamba, de Eduardo Neves, Taiane, composta por Omar Macedo, conhecida na interpretação de Armandinho Macedo, Maria de Vila Matilde, de Douglas Germano, e Choro Maluquinho, de José Menezes. "É um repertório diverso que, para além do choro, se comunica com a música genuinamente brasileira", resume o maestro.
Henrique Neto, uma das cabeças à frente da orquestra, afirma que o show será um panorama da paisagem musical do Brasil. "Preservamos os compositores históricos e fizemos arranjos mais contemporâneos. A gente une a grandiosidade da orquestra com o intimismo do regional do choro, algo que reflete o próprio gênero musical, mas a riqueza das canções brasileiras", aponta o violonista.
Serviço
Choro Livre Convida Choro Popular Orquestra
- Nesta quarta-feira (14/10), no Clube do Choro.
- Entrada franca, mediante retirada de ingressos
*Estagiário sob supervisão de Severino Francisco
Diversão e Arte
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