Música

Roberto Corrêa une viola caipira e música antiga em novo projeto

Roberto Corrêa apresenta hoje o projeto em parceria com o grupo Música Antiga da Universidade Federal Fluminense (UFF), no qual toca com instrumentos centenários

Apresentação do Musica ANtiga da UFF com Roberto Corrêa -  (crédito:  JOAO FANARA)
Apresentação do Musica ANtiga da UFF com Roberto Corrêa - (crédito: JOAO FANARA)

Roberto Corrêa desconfiava, mas não tinha certeza. Um dos maiores pesquisadores da viola caipira brasileira, ele tinha indícios de que o som do instrumento soaria bem com alaúdes, violas da gamba e flautas doce. Quando aceitou o convite do grupo Música Antiga da Universidade Federal Fluminense (UFF), o violeiro ficou agradavelmente surpreso com o diálogo entre suas violas e os instrumentos centenários do quinteto. A parceria rendeu o disco Viola Nova, disponível nas plataformas de streaming, e o show de mesmo nome que dá início à turnê do grupo, hoje, no Teatro Levino de Alcântara da Escola de Música de Brasília (EMB).

Foi a instrumentista Cecília Aprigliano, especialista em viola da gamba, ex-professora da Escola de Música de Brasília (EMB) e professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), quem convidou Roberto para o projeto. Os dois se conheciam há muito tempo, trabalharam juntos na EMB e fizeram a trilha do documentário Bravos valentes — Vaqueiros do Brasil, de Ralf Tambke. Depois de vários concertos juntos, Cecília sugeriu que gravassem um disco com músicas autorais do violeiro tocadas com o quinteto fluminense.

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Para viabilizar o projeto, eles convidaram o arranjador André Vidal, que topou a missão de fazer com que as partituras de Roberto pudessem também ser tocadas por viola da gamba, flauta, alaúde, vihuela e percussão, além das violas caipira, de cocho e de buriti do violeiro. “Gravamos o disco no ano passado e lançamos em agosto nas plataformas. Esse é o primeiro concerto de lançamento”, conta. “Como a música é uma composição minha, que faço para viola solo, cantando, foi quando o André escreveu os arranjos que a gente começou a experimentar as coisas, o que funcionava e o que não funcionava. É uma roupagem completamente nova para as músicas. Minha emoção foi grande de ver as músicas com outras cores, outros sabores, outras profundidades.”

A ideia do projeto foi aproximar duas tradições, uma do interior do Brasil e outra do período medieval e renascentista europeu. Roberto Corrêa selecionou uma lista de 10 músicas e mandou para André. Como o grupo trabalha com vozes, ele também incluiu obras cantadas. O arranjador sabia que a maior dificuldade seria transpor peças tocadas por uma viola para cinco ou seis instrumentos. “Foi um exercício de destrinchar o que a música escrita para uma viola tem, as camadas escondidas pelo meio, e distribuir para um instrumento diferente no conjunto”, explica André. Ele sabia que as sonoridades das violas tradicionais brasileiras conversaram bem com os instrumentos antigos. “É uma sonoridade irmã das violas”, explica. “Para os solos de viola, o trabalho foi meter a cabeça na partitura e ouvir as gravações para escutar coisas que a partitura não dizia.”

Para Roberto, o maior desafio foi abdicar da liberdade do improviso. Para haver harmonia entre o violeiro e o quinteto, era preciso seguir a partitura à risca. “Algumas das músicas escolhidas, geralmente, eu fazia muito à vontade, sentindo o momento e improvisando, mas com a escrita, teve que ser tudo certinho, então tive que passar para André uma versão do que eu fazia à vontade. Isso pra mim foi um desafio”, conta. “Tive que estudar bastante minha própria música.” O resultado agradou muito ao músico. É, como ele descreve, um encontro de instrumentos primos. As violas, especialmente a de cocho, se aproximam muito dos instrumentos de música antiga devido ao uso de cordas de tripa.

De acordo com Cecília Aprigliano, que primeiro teve a ideia do espetáculo, são sonoridades que combinam e aproximam duas regiões. Os instrumentos do quinteto têm origem na península ibérica e alguns têm registros de existência desde o século 13, enquanto a viola caipira vem de uma tradição do interior do Brasil. “Viola da gamba, flauta doce, alaúde são de música antiga, mas, na verdade, tudo é instrumento. Eles têm um som mais delicado, um pouco menor, mas combinam muito bem com a viola caipira e as violas do Roberto”, garante.

Durante a preparação para as primeiras apresentações no auditório da UFF, Cecília constatou que o diálogo com a viola da gamba funcionava. “Tem similaridade, uma sonoridade que tem uma ressonância diferente que tem corda de aço da viola caipira. Ela lembra um pouco o som do cravo, então tem uma semelhança com o que a gente chama de música antiga”, explica. O Música Antiga da UFF tem um repertório que contempla, em boa parte, peças da Renascença e da Idade Média, mas também incorpora outros gêneros, como modinhas do século 19. “A gente tem que estar pronto para fazer todo tipo de música”, acredita Cecília.

  • Violeiro Roberto Corrêa
    Violeiro Roberto Corrêa Foto: DIEGO_BRESANI
  • Apresentação do Musica ANtiga da UFF com Roberto Corrêa
    Apresentação do Musica ANtiga da UFF com Roberto Corrêa Foto: JOAO FANARA
  • Apresentação do Musica ANtiga da UFF com Roberto Corrêa
    Apresentação do Musica ANtiga da UFF com Roberto Corrêa Foto: JOAO FANARA
  • Violeiro Roberto Corrêa
    Violeiro Roberto Corrêa Foto: DIEGO_BRESANI
  • Apresentação do Musica ANtiga da UFF com Roberto Corrêa
    Apresentação do Musica ANtiga da UFF com Roberto Corrêa Foto: JOAO FANARA
  • Violeiro Roberto Corrêa
    Violeiro Roberto Corrêa Foto: DIEGO_BRESANI
  • Violeiro Roberto Corrêa
    Violeiro Roberto Corrêa Foto: JOAO FANARA
  • Violeiro Roberto Corrêa
    Violeiro Roberto Corrêa Foto: DIEGO_BRESANI
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    Violeiro Roberto Corrêa Foto: JOAO FANARA
  •  Apresenta....o do Musica ANtiga da UFF com Roberto Corr..a
    Apresenta....o do Musica ANtiga da UFF com Roberto Corr..a Foto: JOÃO FANARA
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postado em 21/10/2026 05:00
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