CINEMA

'Cartório das Almas', filme de Léo Bello, cria nova percepção sobre a morte

Filmado inteiramente em Brasília e distribuído pela Pandora Filmes, longa traz às telas reflexões sobre a imortalidade em cenário utópico

'Cartória das Almas', segundo longa-metragem de Leo Bello, faz reflexão sobre a morte -  (crédito: Divulgação)
'Cartória das Almas', segundo longa-metragem de Leo Bello, faz reflexão sobre a morte - (crédito: Divulgação)

Incontáveis são as vezes que escutamos que a morte é a única certeza que se tem em vida, mas, e se as ordens se invertessem e a morte passasse a ser uma decisão? Essa é a premissa do filme de Léo Bello, Cartório das Almas. Após passar por festivais, a obra estreou nos cinemas no final de outubro. 

Durante 77 minutos, acompanhamos Laura, interpretada por Gabriela Correa, uma mulher de 126 anos que trabalha em um cartório responsável por registrar as justificativas das pessoas que desistem da longevidade. Ao ocupar esta função, os questionamentos em torno dessa realidade alastram a vida sem fim de Laura.

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A narrativa utópica e a criação de um mundo fantástico é mais um passo na construção de um horizonte cinematográfico brasileiro rico em diferentes linguagens e formas de contar histórias. A combinação da montagem de um universo próprio e a transfiguração de cenários ordinários do consciente popular brasiliense, como o Museu Nacional da República, convidam o espectador a extrapolar a ordem comum. “É um filme atemporal em que você vê esse cenário de Brasília — que são os próprios objetos do Niemeyer que trazem uma ideia de futuro que está no passado, para mergulhar nesse universo com leis próprias e nesse tempo atemporal e refletir sobre a morte, mas sem essa coisa próxima do realismo ou do naturalismo”, destaca o Léo Bello. 

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O filme é fruto da experiência pessoal de Léo com o fio condutor narrativo, a morte. Na adolescência, o diretor acompanhou os últimos momentos de seu avô, que lidava com um câncer em estágio terminal e se deparou com o questionamento, que futuramente seria o embrião do Cartório das Almas: até onde se prolonga a vida? “Eu acabei pesquisando Schopenhauer, Nietzsche, Aristóteles e alguns pensadores, porque a morte é o grande tema da filosofia. E teve uma coisa muito interessante, porque esse filme passou em dois festivais na Índia, um em Calcutá e outro em Kerala. Quando fui para lá, eles falaram que era um filme budista, porque ele trata a morte como um ciclo natural da vida, que é como o budismo a enxerga. Isso para mim foi um despertar”, conta.

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Dentro deste cenário, Gabriela Correa teve sua estreia como protagonista no cinema e sua atuação é a espinha dorsal do filme. No longa, a personagem principal não sente emoções devido aos banhos que amortecem seus sentimentos e sua atuação era pautada na evolução da personagem. “Além das locações desafiadoras, lembro de ter muito medo ao ver aquele roteiro imenso e lembrar que a gente filma de maneira desordenada. O desafio das atrizes é dar essa unidade e encontrar o gráfico da personagem. O Léo e a Larissa me ajudavam muito a racionalizar o que precisava aparecer em cada cena. Eu me preocupava: Meu Deus, tenho 30 dias para fazer essa evolução acontecer durante o filme!”, relata a atriz. 

Cartório das Almas foi premiado na edição de 2023 do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro com o Candango de Melhor Longa-Metragem pelo Júri Popular e recebeu os prêmios de Melhor Direção de Arte para Maíra Carvalho e Melhor Edição de Som para Olívia Hernandez. 

*Estagiária sob supervisão da redação

 

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postado em 04/11/2026 18:08 / atualizado em 04/11/2026 18:13
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