Artes cênicas

Família em ebulição: 'Humanismo selvagem' chega à Caixa Cultural

Racismo e exploração estão no centro da dramaturgia de peça da companhia curitibana Bife seco

Companhia Bife Seco leva ao palco temas da formação do Brasil contemporâneo na peça Humanismo Selvagem -  (crédito: Gabriel Rega)
Companhia Bife Seco leva ao palco temas da formação do Brasil contemporâneo na peça Humanismo Selvagem - (crédito: Gabriel Rega)

Uma família sulista com um enorme segredo se debate no palco para manter um passado nada decente na obscuridade. O mote da peça Humanismo selvagem, que a companhia curitibana Bife Seco traz à Caixa Cultural neste fim de semana, tem raízes na própria história do Brasil e joga luz sobre um aspecto que o diretor Dimis sempre quis ressaltar. 

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O Brasil de 2013 deu ao diretor o contexto que precisava para explorar o tema. “O país estava passando por uma ebulição identitária e política. E eu queria muito falar sobre o tema do racismo, entender como o sulista pensa isso”, explica Dimis, cuja origem gaúcha também ajudou a criar a dramaturgia da peça. No palco, uma família gaúcha de classe alta, um pouco decadente, comemora os 100 anos do patriarca. Uma antiga empregada da família está presente, além de outros convidados. Um tanto disfuncional, a família passa a rememorar questões de abuso e exploração, as mesmas que pautaram a construção do Brasil no último século. “E quando a verdade vem à tona a peça entra em ebulição”, avisa Dimis.

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A peça conta com oito atores, incluindo Luiz Bertazzo, que está no elenco de Ainda estou aqui, e faz parte de um projeto de circulação com patrocínio da Petrobras que celebra os 15 anos da Bife Seco. Além dos atores, outras sete pessoas formam a equipe técnica da companhia. “A gente sempre quis fazer espetáculos autorais, grandes, e sempre gostei de trabalhar com muita gente. A gente sempre dá um jeito de movimentar e fazer coisas que impactem e encantem o público”, diz o diretor. 

Para ele, falar de racismo e exploração em peças de teatro é de extrema importância porque esse é um dos temas que refletem, também, o Brasil atual. “Precisamos entender o que é o Brasil”, explica. “E no Sul, tem mais uma camada do que é o Brasil dentro de um Brasil maior. Eu queria entender como esses temas nacionais, pelo filtro do país, conversavam com os grandes temas da nação. Somo um pais fundado em 300 anos de escravidão, em que o direito das domésticas é muito recente, e tudo isso me afligia e me interssava por no palco.”  Para o palco, a Bife Seco traz ainda um elemento arriscado ao tratar do tema: o humor. “A gente usa o humor para trazer diferentes públicos, para não ser uma peça nichada”, garante Dimis. 

Serviço

Humanismo selvagem

Com Companhia Bife Seco. Sexta (27/2) e sábado (28/2), às 20h, e domingo (1°/3), às 19h, na Caixa Cultural Brasília (SBS – Quadra 4 – Lotes 3/4 – Brasília – DF). Ingressos: R$ 30 e R$ 25 (meia). Não recomendado para menores de 16 anos

 

  • Companhia Bife Seco leva ao palco temas da formação do Brasil contemporâneo na peça Humanismo Selvagem
    Companhia Bife Seco leva ao palco temas da formação do Brasil contemporâneo na peça Humanismo Selvagem Foto: Fotos: Gabriel Rega
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    Companhia Bife Seco leva ao palco temas da formação do Brasil contemporâneo na peça Humanismo Selvagem Foto: Gabriel Rega
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    Companhia Bife Seco leva ao palco temas da formação do Brasil contemporâneo na peça Humanismo Selvagem Foto: Gabriel Rega
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postado em 27/02/2026 06:09
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