
A pesquisa em neurociência e os mistérios da mente humana funcionaram como matéria-prima para o diretor Marcio Abreu criar o texto de Sonho elétrico, que a Companhia Brasileira de Teatro encena no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Em temporada que teve início ontem e segue até 3 de maio, a peça traz para o palco questões que têm chamado a atenção de Abreu nos últimos anos e que renderam, em 2024, Ao vivo, com Renata Sorrah. "Sonho elétrico investiga e tem uma relação forte com o diálogo desse campo de pesquisa que é a neurociência, é sobre estados outros da consciência e do subconsciente humano e exemplos disso em outras culturas que não a ocidental", avisa o diretor e dramaturgo. "Como pensar e investigar isso? Escrevi o texto dialogando com perspectivas desse pensamento maior."
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A obra do neurocientista Sidarta Ribeiro — autor de Sonho manifesto e O oráculo da noite — serviu de base para orientar a produção, mas a intenção de Abreu é ir além. "A história coloca artistas como personagens e vozes para pensar sobre essas questões", avisa. No palco, uma banda finaliza um show quando um dos artistas é atingido na cabeça por um raio. O personagem não morre, mas entra em estado de coma. "E uma parte da peça é o que seria uma pessoa em coma, na iminência da morte. O que acontece com uma pessoa nesse estado?", explica o diretor, que também trouxe para o palco uma metáfora. "O bis do show é o nosso bis como humanidade: será que temos mais uma chance?"
Depois de levar ao palco Sonho elétrico e Ao vivo, Marcio Abreu se deu conta de que as duas peças faziam parte de algo maior e criou uma trilogia que terá, em junho, História, espécie de saga criada para investigar as possibilidades dramatúrgicas dos temas relacionados à neurociência. "São questões sobre como a memória íntima e coletiva se inter-relacionam, como uma se relaciona com a outra, como a gente pode interferir na história, como a gente pode trazer para nossa vida concreta, real, nosso imaginário, como a imaginação e o sonho podem interferir na vida. Tem muitas camadas sociais para pensar nisso", acredita.
Serviço
Sonho Elétrico
Direção: Marcio Abreu. Com: Verónica Valenttino, Jessyca Meyreles, Idylla Silmarovi e Cris
Meirelles. Hoje e amanhã, às 20h, e domingo, às 18h, no Teatro I do CCBB Brasília (SCES Trecho 02 Lote 22). Ingressos: R$ 15 (meia) e R$ 30

Diversão e Arte
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