Artes visuais

Vulnerabilidade feminina é tema de exposição de Akimi Watanabe

Exposição de Akimi Watanabe questiona a simbologia da beleza que coloca  a mulher em situações de vulnerabilidade

Desdobramento de uma pesquisa iniciada há quatro anos e que já rendeu uma exposição, Verdade moldada, da artista Akimi Watanabe, ocupa o Espaço Oscar Niemeyer até maio com a intenção de incentivar questionamentos que têm o lugar do feminino na sociedade como ponto de partida. A partir da metáfora dos pés de lótus, prática milenar chinesa que condenava as mulheres à automutilação para evitar o crescimento dos pés, Akimi leva para a galeria obras que exploram a subalternidade e o controle  como instrumentos de opressão. "Uso os pés de lótus como metáfora, não é revisionismo histórico. Quando comecei a estudar, queria mostrar que é muito atual todo o estudo que fiz, porque é um arcabouço muito grande sociológico, social, econômico", avisa a artista.

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Com instalações, colagens e bordados, Akimi traz para a galeria histórias que, em um primeiro olhar, parecem fazer parte de culturas e épocas distantes. No entanto, a proposta da artista é fazer conexões que permitam ao público compreender como as práticas que confinam mulheres a certos papéis e  espaços, sejam eles físicos ou simbólicos, funcionam até hoje como ferramentas de controle social. "É uma exposição muito atual. Questiono a violência, não só física, mas cultural, social e econômica mesmo", explica a artista. "É muito extensa toda a narrativa colocando a mulher como frágil."

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Além dos pés de lótus, a artista explora outras práticas orientais utilizadas para isolar as mulheres. Muitas delas eram tidas como símbolos de status e beleza, apesar do sofrimento físico ou psicológico eventualmente causado. A exposição traz, por exemplo, um bordado nushu, um sistema de escrita criado por mulheres da província de Hunan, na China do século 19, para contornar a proibição de aprenderem a ler e a escrever o idioma oficial do país. "Fiquei super emocionada quando descobri que as mulheres não tinham direito nem de ler nem de escrever a língua oficial, que permitiria trabalhar, então criaram a própria língua. E mesmo nessa escrita, elas enfatizavam a questão da submissão, isso que é triste", conta Akimi, que fez um bordado de três metros para a exposição. 

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Em outra obra, ela traz para a galeria uma leitura da simbologia yin-yang na qual enfatiza a hierarquização presente nos detalhes. "O yin-yang coloca a mulher no lado escuro, como alguém que tem que ficar em casa, no escuro, no espaço frágil. E yang é o homem", aponta o artista, lembrando que este último representa o branco, a luz, a ação. "E trago para a contemporaneidade, a gente também tem nossas amarras. O que é símbolo de  beleza hoje? O que é real? O que é verdade? O que você está aceitando como verdadeiro, mas que está conformando seu corpo e suas individualidades, suas escolhas? Abro perguntas com as minhas obras. Se aconteceu naquela época, o que está acontecendo hoje?".

Serviço

Verdade Moldada

Exposição de  Akimi Watanabe. Visitação até 12 de maio, de terça a sexta, das 9h às 18h, e sábado e domingo, das 9h às 17h, no Espaço Oscar Niemeyer


 

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