
“Eu já toquei em Brasília umas 200 vezes”. Foi assim que João Gordo relembrou a relação com a capital em entrevista cedida ao Correio em 2024, em passagem pela cidade. A visita frequente do vocalista ao Planalto Central se repete neste sábado (30/5), desta vez com Jão, Boka e Juninho, para apresentação única do Ratos de Porão na Infinu Comunidade Criativa. A partir das 22h, a banda formada há mais de 40 anos e pioneira do punk rock brasileiro sobe aos palcos brasilienses com um repertório que vai desde trabalhos recentes até letras atemporais, como Beber até morrer e Expresso da escravidão.
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Desde a estreia, em 1984, o repertório do Ratos de Porão ficou marcado por composições que chamam atenção pelo tom de denúncia e crítica social — faixas como Amazônia nunca mais, Farsa nacionalista e Morte ao rei, segundo João Gordo, ressoam com a realidade do Brasil de hoje, mesmo escritas há quase quatro décadas. “Não é nada agradável você perceber que nada mudou e que nossas músicas hoje fazem muito mais sentido do que antigamente”, admitiu o vocalista ao Correio.
“Antes, era só uma suposição, a gente cantava o que a gente achava que estava acontecendo, mas agora temos certeza que é isso mesmo. É pior ainda, na verdade”, continuou o paulistano. “Isso é muito louco, ainda mais pra mim, que faço as letras. Eu não sou mãe Dinah. É que o país é assim mesmo. Aqui foi feito para os ladrões se darem muito bem e não serem presos. Leis que favorecem o banditismo”, denunciou.
Precursor do movimento punk no Brasil, João Gordo também lamentou a existência de representantes do “rock de direita”. “Existem algumas bandas que os caras simplesmente não evoluíram. Eles pensam igualzinho ao que pensavam em 1982. Naquela época, todos nós éramos reacionários, entre os punks também. A gente não tinha muita informação. Era uma homofobia lascada, um tempo bem menos evoluído. Agora, passaram-se 40 anos e os caras continuam pensando igual”, apontou o paulistano.
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“Conforme o passar do tempo, você vai viajando, estudando, aprendendo as coisas e, consequentemente, começa a se ligar no que é certo e no que é errado. Se o cara continua pensando do mesmo jeito que ele pensava em 1982, é porque ele é burro mesmo”, declarou o vocalista do Ratos de Porão.
Nos lançamentos mais recentes do Ratos de Porão, os álbuns Necropolítica e Isentön päunokü, a banda traz composições que condenam o governo Bolsonaro e as medidas tomadas pelo ex-presidente durante o período de pandemia. Para João Gordo, o papel do punk é esse — incomodar. “Se você está incomodando o inimigo, você está no caminho certo”, declarou o cantor.
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“Essa postura anti-fascista nossa é porque a gente vê e sente o que está acontecendo, e as pessoas que são dessa seita bolsonarista não enxergam nada. Esses caras acham, em nome do medo de um pseudocomunismo, que várias coisas irão acontecer, baseados em fake news. Os caras aceitam os maiores absurdos. Para eles, as maiores pilantragens são aceitáveis em nome do medo moral”, ressaltou o paulistano.
Banda sobrevivente dos tempos de ditadura militar, o Ratos de Porão sempre apresentou postura “punk e anarquista”, de acordo com o vocalista. “Eu não votava em ninguém, até que os fascistas começaram a chegar. Aí, já mudou o assunto. Eu voto até no meu cachorro se for para ser contra o Bolsonaro e o bando de bandidos dele”, finalizou João Gordo.
Serviço
Ratos de Porão em Brasília
Amanhã, às 22h, na Infinu Comunidade Criativa (CRS 506, bloco A, loja 67 — ao lado Praça das Avós)
Ingressos podem ser adquiridos a partir de R$ 60, na plataforma digital Shotgun
Não recomendado para menores de 18 anos.

Diversão e Arte
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