Por Laerte Rimoli—Convoco os milhares (quicá milhões) de leitores deste cantinho de jornal a decifrarem um mistério de Brasília. Em quais quadras comerciais, confrontantes, encontramos prazeres que percorrem a gastronomia/arte de vários estados brasileiros e de um país sulamericano? Um salgadinho e um doce típico da Argentina; o ambiente descontraído do Rio de Janeiro; quitandas mineiras; sobremesas goianas; ingredientes naturais escolhidos com rigor de casa de mãe; um café charmoso; arte nordestina e um restaurante de comida saudável? Tudo junto e misturado. Sem precisar usar o carro. O primeiro leitor que identificar o enigma — aqui nos comentários, será convidado para um cafezinho em que o autor contará histórias do Peixe, o glorioso Santos Futebol Clube de Pelé. Pode trocar por um passeio no Eixo Monumental, o escriba não se ofende.
Sou louco por empanadas. Não concordo com o estigma que grassa entre nós de que os hermanos argentinos são chatos e arrogantes. Se forem, bem, estão "perdonados" por criarem a prima do pastel: assada no forno, produz uma casquinha dourada e opaca. Massa grossa, sovada. Gosto das que têm recheio de alho poró. Ao sair dessa simpática loja, depois de comprar "alfajores", outra delicia que nasceu nas províncias de Córdoba e Santa Fé, quem sabe bate a inspiração de um jantar para amigos. Vá ao mercado vizinho, paraíso dos gourmets: endívias, flores comestíveis, azeites especiais, molhos e temperos do mundo inteiro. Tudo escolhido com rigor por uma família que criou tradição de bem servir em Brasília. Tem figo ramy.
Agora vamos gastar um pouco: um presente diferente, de bom gosto. Artesanato fino de Minas Gerais, peças de artistas nordestinos ou objetos coloridos de decoração? Uma festa para os olhos. Banquinhos indígenas, talhados em madeira, que imitam animais silvestres. Acervo do J.Borjes, anjinhos barrocos, filtros de barro. Esta quadra tem. Deu fome? Basta subir um pouco, que chegamos a um botecão carioca. Bifão acebolado, batata frita, cerveja trincando e garçons que já fazem parte da paisagem da Asa Norte. Opa, escapou a primeira dica. Durante a semana trombamos com servidores públicos engravatados, que se fundem a gente de bermuda e a frequentadores assíduos que esticam o almoço até às 17h. Um pedacinho da velha capital.
Se preferir uma comida mais leve, com uma pegada "nattural" — a gincana tá esquentando, e bem temperada, sucos da fruta, tortas de maçã e banana caramelada. Hummm. Um restaurante fica dois blocos abaixo do outro. Findas as compras e a farra da comilança, chegou a hora de um sorvete. Calorão de 30 graus. Um espetáculo, difícil decidir sobre cagaita, jabuticaba, baru, maracujá. Sob árvores, bancos de madeira e mesinhas de mosaico, de um artista de Serra Talhada, o sabor goiano nos embala. Hora de ir para casa. Leva uns "biscoitim", brevidade, quebrador. Bolo de cenoura com calda de chocolate, é bom pro "cafezim" da tarde. Minas presente. Ia me esquecendo do charmoso café do local — serve cafés especiais, "cold brew nitro" e torra própria, também com mesinhas na calçada. O número que compõe uma das quadras é 9. A outra soma 8. Nove oito = 17. Dezessete, noves fora, voltamos ao 8, que significa na numerologia poder pessoal, abundância material e capacidade de realização. Compliquei?. Ambas iniciam com o 4. O que você tá esperando? Vá lá — Divirta-se!
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