O espetáculo Zona Franca nasceu do questionamento sobre o futuro possível para uma companhia de dança após a pandemia de covid-19. Os bailarinos queriam dar continuidade ao trabalho ao mesmo tempo em que enfrentavam um cenário de terras arrasadas. Teatros fechados durante a pandemia e um governo refratário ao financiamento público de expressões culturais formaram uma combinação que fez a Cia. Suave questionar se era possível seguir adiante. Fruto dessa inquietação, Zona Franca está em cartaz na Caixa Cultural, nesta sexta (2/10) e no sábado (3/10).
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No palco, nove bailarinos exploram uma mistura que mescla diversos estilos de dança da periferia das grandes cidades, um conjunto de referências que a coreógrafa Alice Ripoll queria incorporar. "O espetáculo mistura passinho, que é um estilo nascido nas favelas do Rio, com outros estilos afros, com pisadinha e com uma encenação de dança contemporânea", avisa. "Eu sou uma coreógrafa que vem da dança contemporânea, e o grupo tem uma formação mais diversa. O espetáculo é uma mistura de tudo isso, mistura dança e contato, teatro, trabalho vocal, onde a gente cria um universo para eles se expressarem."
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Zona Franca não conta uma história com início, meio e fim. É, na verdade, uma construção de cenas e imagens para que o público possa conectar a sensações e exercitar a livre associação. Muito influenciada pelo surrealismo, Alice gosta de um recorte livre, que deixe o público mergulhar nas mais variadas referências. "A gente trabalha com grandes improvisações, e vou compondo um material que vai surgindo e fazendo proposições para eles desdobrarem. Às vezes, são proposições mais desafiadoras, como fazer um passinho na dança-contato, para se desdobrar o material e criar um universo no qual está inserido", explica. A intenção, ela avisa, é que o público se sinta num sonho em que a ligação entre os movimentos é mais inconsciente.
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Alice criou a Cia. Suave em 2014, quando recebeu um convite para fazer um espetáculo com danças da periferia. "Eu deveria escolher um tipo de dança da periferia, e escolhi trabalhar com passinho. Tendo como origem o funk carioca, o passinho surgiu nos anos 2000 nos bailes do Rio de Janeiro e tem o improviso como base. "Os bailarinos trazem estilos que foram criados na periferia do Rio de Janeiro e do Brasil. Desde o início, minha preocupação foi trazer um espaço para eles se expressarem através da dança que eles traziam", avisa a coreógrafa.
Serviço
Zona Franca
Com a Cia. Suave. Hoje e amanhã, às 20h, na CAIXA Cultural Brasília (SBS Q. 4 Lotes ¾). Ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia). Não recomendado para menores de 16 anos.
