
Mais volume e recursos movimentados marcaram o comércio exterior brasileiro no ano passado, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Tanto as exportações quanto as importações renovaram o maior nível da série histórica em 2025, o que fez com que a corrente de comércio — a soma dos embarques e desembarques no ano — atingisse também o recorde de US$ 629,1 bilhões em 2025, um avanço de 4,9% em relação ao ano anterior.
Conforme os dados do Mdic divulgados ontem, no ano passado, as exportações cresceram 3,5% — em termos de valor em relação ao registrado em 2024 — e atingiram US$ 348,7 bilhões, ao passo que as importações saltaram 6,7%, alcançando US$ 280,4 bilhões, na mesma base de comparação. Apesar dos recordes registrados em 2025, o crescimento maior das importações fez com que o superavit da balança comercial brasileira fosse inferior aos picos dos dois últimos anos — 2023 e 2024 - e, com isso, o saldo comercial do ano passado foi o terceiro melhor da série histórica. Em relação ao período anterior, o superavit comercial encolheu 7,9%, para US$ 68,3 bilhões.
De acordo com o Mdic, mais de 40 países tiveram um ano de recorde nas compras de produtos brasileiros, o que inclui Canadá, Índia, Turquia, Suíça, além dos parceiros de Mercosul Uruguai e Paraguai. Durante a apresentação dos resultados aos jornalistas, ontem, o vice-presidente e titular do Mdic, Geraldo Alckmin, destacou a assinatura, no ano passado, do acordo do Mercosul com a Associação Europeia de Livre Comércio (Efta, na sigla em inglês), integrada por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça. O grupo reúne os quatro países com as maiores rendas per capita do mundo, no ano passado. Alckmin ainda afirmou que está confiante em relação ao acordo com a União Europeia, que teve a assinatura adiada para o início deste ano.
"(O Acordo Mercosul-UE) Está bem encaminhado, quero reiterar que estamos otimistas e é muito importante para o Mercosul, para a União Europeia e para o comércio global, porque em um momento de guerras de conflitos, de geopolítica instável e de protecionismo, será o maior acordo do mundo", destacou o ministro.
Conforme dados do Mdic, no ano passado, ainda houve um crescimento expressivo das exportações brasileiras para a Argentina, que avançaram 31,4%, em 2025, somando US$ 18,1 bilhões, resultado influenciado, principalmente, pelas vendas no setor automotivo. Em junho do ano passado, os dois países assinaram um acordo que zerou as tarifas de importação de autopeças não produzidas em ambos os territórios, além de flexibilizar as condições de acesso para a aquisição de ônibus, vans e caminhões de até cinco toneladas.
Em um ano marcado pelo aumento de tarifas que chegaram a 50% sobre os produtos brasileiros — e que ainda incidem sobre centenas deles —, as exportações para os Estados Unidos caíram 6,6%, sendo que a pior queda mensal ocorreu em outubro (de 35,4%). Sobre o tarifaço, Alckmin disse que ainda há um bom relacionamento entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos EUA, Donald Trump, e que o Brasil deve seguir em negociação para reverter o restante das tarifas recíprocas aplicadas ao país durante o governo do republicano.
"O presidente Lula tem com o presidente Trump um bom relacionamento, tiveram vários encontros, as conversas avançaram, e a nossa tarefa é avançar ainda mais. Acho que a gente pode ter um ganha-ganha, não só do ponto de vista tarifário, mas também não tarifário", comentou Alckmin. De acordo com o governo, 22% da pauta exportadora Brasil-EUA ainda está sob os efeitos da tarifa adicional de 50%
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Venezuela
Em relação à possível entrada das empresas norte-americanas para a exploração de petróleo na Venezuela, o vice-presidente disse que não vê um impacto nas exportações brasileiras da commodity. Ele citou o avanço da extração na região do pré-sal recentemente. "O primeiro item da pauta exportadora brasileira é o petróleo. Então há a expectativa de que a gente tenha um crescimento do petróleo em razão do pré-sal", pontuou.
A respeito da participação da Venezuela no comércio exterior brasileiro, o ministro disse que o país vizinho não possui uma representatividade grande e é apenas o 52º no ranking de nações que negociam com o Brasil, considerando a corrente de comércio. Em 2025, a exportação para o país sul-americano atingiu US$ 838 milhões, ao passo que a importação chegou a US$ 349 milhões.
Já as exportações para a China — maior parceiro comercial do Brasil — cresceram 6% e atingiram US$ 100 bilhões, com destaques para soja, carne bovina, açúcar e celulose. Para 2026, no entanto, as vendas de carne para o país asiático podem sofrer um impacto significativo já no começo do ano, já que o governo chinês implementou uma taxa adicional de 55% sobre o produto para os principais vendedores no mundo, o que inclui a carne brasileira.
Por setor, a agropecuária liderou o crescimento de valor total exportado em 2025, com um avanço de 7,1% no período (US$ 77,6 bilhões), ao passo que as vendas da indústria extrativa (US$ 80,4 bilhões) tiveram o melhor resultado em volume (8%), mas apresentaram uma queda de 0,7% em termos de valor no último ano. Ao mesmo tempo, a indústria de transformação manteve a liderança absoluta em relação ao valor exportado (US$ 188,7 bilhões), com avanço de 3,8%.
O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Jorge Viana, comemorou o crescimento do comércio exterior brasileiro, acredita que as previsões para este ano são ainda mais animadoras. "O Brasil pode ter um fluxo de comércio próximo de US$ 700 bilhões, com crescimento nas exportações e, obviamente, uma presença maior no comércio internacional", destacou. Segundo a previsão do Mdic para 2026, o saldo da balança deve ficar entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões, com as exportações na casa de US$ 340 bilhões a US$ 380 bilhões e as importações, entre US$ 270 bilhões e US$ 290 bilhões.

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