UE-MERCOSUL

Alckmin prevê acordo comercial já em vigor no segundo semestre

Vice-presidente espera que tratado a ser assinado amanhã, no Paraguai, comece a vigorar na segunda metade do ano

O vice-presidente Geraldo Alckmin avalia que o acordo UE-Mercosul trará ganhos para a sociedade e a economia de forma geral -  (crédito: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)
O vice-presidente Geraldo Alckmin avalia que o acordo UE-Mercosul trará ganhos para a sociedade e a economia de forma geral - (crédito: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Geraldo Alckmin, comemorou a conclusão do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia e manifestou expectativa de que o Congresso Nacional aprove o projeto de lei de ratificação ainda no primeiro semestre deste ano. A meta do governo é permitir que as novas regras entrem em vigor no segundo semestre.

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O acordo será formalmente assinado amanhã, no Paraguai, que tem a presidência rotativa do Mercosul. O vice-presidente destacou o papel do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas negociações, afirmando que ele "foi quem fez todo o trabalho" para viabilizar o entendimento entre os blocos, embora o desfecho não tenha ocorrido durante a presidência brasileira do bloco. "Assim que for assinado, o Parlamento Europeu aprova sua lei, e nós aprovamos a lei internalizando o acordo. Esperamos que aprovem ainda no primeiro semestre e que entre em vigor já no segundo semestre", afirmou Alckmin, ontem, em entrevista ao programa Bom dia, ministro, da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC).

Hoje, o presidente Lula tem encontro marcado com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no Rio de Janeiro. Ele não viaja ao país vizinho para a assinatura. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, vai representá-lo na cerimônia em Assunção.

Alckmin ressaltou que o pacto é o maior acordo comercial já firmado entre os dois blocos. "São 720 milhões de pessoas, US$ 22 trilhões de mercado. São cinco países do Mercosul e 27 países da União Europeia. Isso significa comércio. Vamos vender mais para eles. Vai ter livre-comércio, mas com regras. Vamos comprar mais deles também."

Para o vice-presidente, os principais beneficiários do acordo serão os consumidores e a economia como um todo. "Quem ganha é a sociedade. Se sou mais eficiente em um produto, vendo para você. Se você é mais eficiente em outro produto, você vende para mim. Ganha a sociedade comprando produtos mais baratos e de melhor qualidade", argumentou. Ele também ressaltou os impactos positivos sobre diferentes setores produtivos, afirmando que o entendimento deve impulsionar o agronegócio, a indústria e os serviços. "O comércio exterior hoje é emprego na veia. Se determinadas empresas não exportarem, elas fecham."

Ele destacou o valor simbólico do pacto no cenário internacional. "O acordo é um exemplo para o mundo em um momento de instabilidade política, de geopolítica com guerra em vários lugares, de protecionismo exacerbado. É um exemplo de que é possível, através do diálogo e da negociação, fortalecer o multilateralismo e ter o livre-comércio", frisou.

Efeitos do Irã

Alckmin minimizou os possíveis efeitos para o Brasil do anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a aplicação de tarifas de 25% a países que mantêm relações comerciais com o Irã. Segundo ele, mesmo que a medida venha a ser formalizada, o impacto sobre a economia brasileira tende a ser limitado, devido ao baixo volume de comércio bilateral.

O anúncio foi divulgado na segunda-feira, mas ainda não se transformou em decisão oficial do governo norte-americano. De acordo com o vice-presidente, o Irã ocupa uma posição marginal na pauta de comércio exterior do Brasil e, além disso, a balança comercial é amplamente favorável do lado brasileiro. "O Irã é um pequeno participante do comércio exterior brasileiro. Ele está lá no fim da fila, não tem muita relevância. Aliás, somos grandes exportadores, vendemos mais do que compramos deles", disse.

O comércio bilateral entre Brasil e Irã, 31º destino das exportações brasileiras, somou US$ 3 bilhões, em 2025, com saldo positivo na balança para o Brasil em US$ 2,8 bilhões.

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O ministro também demonstrou ceticismo quanto à viabilidade prática da medida anunciada por Trump. Para ele, a abrangência da iniciativa poderia atingir dezenas de nações, incluindo parceiros europeus dos Estados Unidos. "Não vejo relação [sobre as negociações do tarifaço] e acho que a questão da 'supertarifação' é difícil de ser aplicada porque você teria de aplicar em mais de 70 países do mundo, inclusive países europeus", observou o ministro. Ele afirmou ainda que o governo brasileiro aguarda a eventual publicação de uma Ordem Executiva por parte dos EUA para avaliar, de forma mais precisa, os desdobramentos e a necessidade de adoção de medidas.

 

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postado em 16/01/2026 03:59
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