
O Ministério Público Junto ao Tribunal de Contas da União (MP-TCU) protocolou, nesta sexta-feira (20/2), um pedido de medida cautelar para o presidente do TCU, Vital do Rêgo, para reverter a decisão do ministro Jhonatan de Jesus, que impôs sigilo total aos documentos do processo de liquidação do caso do Banco Master analisado pela Corte e relatado pelo ex-deputado.
De acordo com a representação assinada pelo subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado, o sigilo total “gera profunda desconfiança e levanta sérias questões sobre a transparência e a integridade das instituições públicas”.
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A liquidação do Master foi decretada pelo Banco Central em novembro de 2025 e, desde então, o BC já liquidou várias instituições do grupo do banqueiro Daniel Vorcaro que, juntas, somam um rombo de R$ 51,8 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC) -- mantido pelos bancos privados e públicos --, o maior desfalque no Fundo que deve ter novas regras em breve.
No documento, o subprocurador critica a decisão do ministro Jhonatan de Jesus e afirma que “em um cenário já marcado por episódios controversos e suspeitas de favorecimento ao Banco Master, a decisão de ocultar informações cruciais, mesmo do próprio Banco Central e de membros do TCU, é alarmante”.
“A justificativa de evitar vazamentos não se sustenta diante da gravidade do caso e da necessidade de clareza em processos que envolvem bilhões e afetam a credibilidade de órgãos de controle. Este episódio não apenas compromete a imagem do TCU, mas também expõe a fragilidade das práticas de governança e transparência em instituições brasileiras”, acrescentou.
No requerimento de seis páginas endereçado a Vital do Rêgo, Furtado também solicitou maior transparência e afirmou que ela é “remédio urgente” na crise do Banco Master.
O subprocurador ainda destacou que “sigilo do relatório do TCU sobre a inspeção do Banco Central gera desconfiança por sua anormalidade” e “o episódio é mais um na longa lista de comportamentos inusuais, inclusive, do Supremo Tribunal Federal (STF), em prol da instituição controlada por Daniel Vorcaro”.
Por falar em Vorcaro, hoje, ele cancelou a vinda a Brasília para depor, na próxima segunda-feira (23/2), na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) após o ministro do STF André Mendonça negar o pedido dele para viajar de jato particular.
Argumentos
Além disso, Furtado lembrou que o TCU retirou o acesso do Banco Central ao processo da Corte que investiga a atuação da autoridade monetária durante a liquidação do Banco Master e, agora, o sigilo é maior e o BC só poderá ter acesso aos documento com autorização do ministro relator.
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Entre os vários argumentos para a quebra do sigilo total do relatório sobre o caso do Banco Master, Furtado ainda apontou a necessidade de assegurar “o direito da imprensa e da sociedade ao acesso às informações de interesse público, em conformidade com os princípios constitucionais da publicidade e da transparência”.
De acordo com técnicos do TCU, a área técnica tem o prazo de cinco dias para se manifestar sobre o pedido de cautelar. Depois disso, o processo vai para avaliação do relator. Como ainda não foi aberto o processo, o relator não foi definido ainda, segundo os técnicos.
Procurada, a assessoria do ministro Jhonatan de Jesus não comentou o assunto, mas lembrou que, na semana passada, o MP teve acesso ao processo.
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