Escala 6 x 1

Redução de jornada de trabalho em debate entre entidades

Estudos divulgados por entidades do comércio e da indústria apontam custo elevado e queda de produtividade. Governo defende proposta

Boulos: A proposta que nós estamos defendendo, junto com o Lula, é o fim da escala 6x1, ou seja, no máximo 5x2 -  (crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)
Boulos: A proposta que nós estamos defendendo, junto com o Lula, é o fim da escala 6x1, ou seja, no máximo 5x2 - (crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

Duas entidades representantes do setor empresarial divulgaram estudos, ontem, calculando as perdas provocadas caso seja aprovado o fim da escala 6 x 1. A proposta entrará em votação esta semana, na Câmara. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC)  e a Confederação Nacional da Indústria(CNI) afirmam que os custos serão elevados.

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A CNC realizou um debate para discutir as propostas de alterações na legislação trabalhista e seus efeitos sobre o setor produtivo. O economista-chefe da entidade, Fábio Bentes, afirmou que a discussão sobre a redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6x1 envolve aspectos estruturais das relações de trabalho.

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"O custo de adequação para manter o funcionamento seria de R$ 122 bilhões para o comércio e de R$ 235 bilhões para o setor de serviços", afirmou o economista, tendo o estudo em mãos. Segundo ele, para manter 447 milhões de horas semanais sem a escala 6x1, o comércio precisaria contratar 986 mil pessoas. "Não há mão de obra qualificada suficiente", declarou.

A base governista, por sua vez, segue destacando a importância da redução da jornada. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos,  afirmou que acabar com a escala 6x1 é uma das principais prioridades do governo federal este ano. "A proposta que nós estamos defendendo, junto com o Lula, é o fim da escala 6x1, ou seja, no máximo 5x2. No mínimo, o trabalhador ter dois dias de descanso por semana livres e reduzir a jornada máxima para 40 horas semanais, sem redução de salário", explicou Boulos.

Durante a participação na estreia do programa Alô Alô Brasil, da Rádio Nacional, veículo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Boulos disse também que a resistência de empresários à medida já era esperada, à exemplo do que ocorreu em outros avanços históricos, como a implantação do salário mínimo, do 13º salário ou férias remuneradas. "Eu nunca vi patrão defender aumento de direito do trabalhador. Ele sempre vai ser contra", afirmou.

Bentes, no entanto, alertou que a economia reage a mudanças nos custos. "Se sobrecarregarmos o empregador com custos trabalhistas, o negócio se torna inviável, forçando o repasse para os preços", disse, ao informar que o aumento nos custos forçaria uma alta estimada de 13% nos preços do comércio.

Ele também citou risco de avanço da informalidade.

 

Custos na indústria

Para a CNI, a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais pode elevar os custos das empresas para entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano.

O estudo divulgado pela confederação, ontem, considera dois cenários para manter o nível atual de produção: pagamento de horas extras aos empregados atuais ou contratação de novos trabalhadores. De acordo com a entidade, haverá aumento de cerca de 10% no valor da hora regular para trabalhadores com contratos acima de 40 horas semanais.

No setor industrial, o impacto estimado varia entre R$ 58,5 bilhões e R$ 87,8 bilhões por ano, a depender do modelo adotado. Proporcionalmente, o aumento pode chegar a 11,1% da folha salarial da indústria. Dos 32 segmentos analisados, 21 tiveram elevação de custos acima da média do setor.

Entre os ramos mais afetados, a indústria da construção pode registrar aumento entre 8,8% e 13,2%, com impacto estimado em até R$ 19,4 bilhões. A agropecuária teria alta entre 7,7% e 13,5%. A indústria de transformação pode ter elevação entre 7,7% e 11,6%.

*Estagiário sob a supervisão de Edla Lula

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postado em 24/02/2026 03:29
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